Foto: Richard Avedon
Dorothy McGowan, em agosto de 1963, com vestido Daphnée, da coleção de 1963 de alta-costura – Foto: Richard Avedon

Por Luigi Torre

A dupla era tão improvável quanto o sucesso do look que fez a fama de um deles. De um lado, o estilista Christian Dior, nostálgico e romântico; do outro, o fotógrafo Richard Avedon, um modernista no melhor sentido. A história, contudo, provou-os complementares e influentes, como deixa claro a publicação da Rizzoli, Dior By Avedon, que acaba de ser lançada no Brasil (R$ 833,20). A união do trabalho de ambos (e que perdurou com a marca mesmo após a morte de seu fundador, em 1957) resultou em algumas das imagens de moda mais marcantes do século 20. Como escreveu Justin Picardie, editora-chefe da Harper’s Bazaar inglesa, na introdução do livro, “moda é transitória, mas tem momentos que, misteriosamente, perduram e transcendem à natureza fugaz do meio. Mas esses momentos que sobrevivem precisam ser gravados, e, mais do que nunca, em fotos, não em palavras.”

A responsável pela apresentação desses dois talentos foi Carmel Snow, então editora-chefe da Harper’s Bazaar americana. Era 1946 e Paris ainda fervilhava pós-Segunda Guerra Mundial. Christian Dior, que já havia sido ilustrador da publicação anos antes, inaugurava sua maison homônima, a qual foi recebida como revolucionária por Carmel. Do outro lado do Atlântico, o americano Richard Avedon já era colaborador assíduo de Bazaar, com suas fotos cheias de frescor e inovação sobre a moda de luxo, que começava a chegar às ruas dos EUA.

Foto: Richard Avedon
Maggi Eckardt, em agosto de 1964, com conjunto Eddy – Foto: Richard Avedon

Um ano depois, foi a jornalista americana novamente quem deu início – ou pelo menos anunciou – uma das maiores revoluções fashion do século passado. Ao deparar com a longa saia volumosa, combinada à jaqueta acinturada e ajustada ao corpo, no primeiro desfile de alta-costura de monsieur Dior, em fevereiro de 1947, batizou o modelo de New Look e escalou ninguém menos que Richard Avedon para eternizar aquele momento.

Com suas lentes, Avedon acentuou as formas arquitetônicas da couture de Dior. O estilista, por sua vez, deu profundidade emocional e sensibilidade feminina às imagens de Dick, como o fotógrafo era conhecido por amigos. União orquestrada não por acaso e primordial para silenciar as tempestuosas críticas sobre a coleção. Apesar de despertar desejos viscerais nas mulheres, com sua silhueta e extravagância, o New Look ia na contramão de tudo que se acreditava na época. Ainda frescas, as memórias da guerra pediam olhares pragmáticos para o futuro. As criações de Dior expressavam quase o oposto. Nas palavras de Cecil Beaton, “Dior cria nostalgias brilhantes”.

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