Foto: Marina Najjar
Foto: Marina Najjar

Por Ligia Carvalhosa

Ela só veste branco e preto, mas vem do uso inusitado das cores a sua grande sacada. Fotógrafa de forma­ção e artista plástica por vo­cação, Olivia Lambiasi é o nome por trás das bolsas pin­tadas à mão que circulam entre um turma de garotas cool de São Paulo. “Faz dois anos que saí para jantar e, quando cheguei ao restau­rante, percebi que todas as meninas usavam a mesma bolsa Chanel, inclusive eu”, conta, lembrando que nas­ceu dali o desejo de ser dife­rente e garantir uma certa individualidade. “Cheguei em casa e fiquei lidando com aquele incômodo. Três dias depois, decidi que as tintas que davam vida aos meus quadros teriam, também, ou­tro destino.” Pinceladas largas cobriram sua primeira little black bag, na sequência, uma clássica Louis Vuitton, uma saco da Balenciaga, uma mala de viagem, e não parou mais.

“Não eram os meus planos. Fiz para mim, mas, ao circular com as minhas bolsas, comecei a receber pedidos e vi ali a opor­tunidade de explorar um nicho para além das minhas telas”, conta, sobre sua principal ocupação atualmente. Marcella Tran­chesi é uma de suas clientes mais fiéis – tem no armário três mo­delos e já encomendou um relógio ultracolorido, última criação da paulistana de 24 anos, que também decora sapatos e outros acessórios com sua arte. “Gosto da ideia de transformar um ob­jeto que já tem status de desejo em algo ainda mais exclusivo, em uma peça verdadeiramente única.” É aí que o trabalho de Olivia se destaca das diversas parceiras entre arte e moda que ga­nharam o mercado, há mais de uma década. Aqui, as customiza­ções são verdadeiramente únicas e feitas sob medida. E levando em conta a personali­dade de cada consumidora.

Foto: Marina Najjar
Foto: Marina Najjar

Mesmo dona de um traba­lho autoral, ela cede na hora de desenhar para suas clien­tes. Uma longa conversa é pressuposto básico, tal como fotos e, quiçá, uma visita ao closet. “Meu objetivo é que elas gostem do resultado, e, por mais que seja uma cria­ção minha, acho importante entender quem é essa mu­lher e qual o seu estilo. Não quero que ela se arrependa e nem que a bolsa fique guar­dada.” Customizar sua única Chanel? Não, nossa artista sugere que a subversão dos clássicos fique restrita a uma segunda ou terceira peça.

Extrovertida e boa de papo, Olivia buscou um lu­gar só seu para criar: um ate­liê instalado no jardim da casa dos tios, Eduardo e Elisabeth Prado, em Alphaville. “Eles são artistas plásticos e meu approa­ch com a arte vem daí. Fez todo o sentido levar a minha cria­ção para lá.” A casa de vidro tem o chão e as paredes respinga­dos de tinta, reflexo de sua action painting, técnica que pegou emprestada de Jackson Pollock, artista que, ao lado de Andy Warhol e David LaChapelle, serve de inspiração para seu tra­balho. “Eles mexem com o inusitado, fogem do óbvio, algo que faz parte do meu dia a dia.” A maior plataforma de vendas das bolsas e acessórios é o Instagram (@olivialambiasioficial), mas as encomendas também podem ser feitas via e-mail (oglartes­plasticas@hotmail.com). Cada peça pode levar até duas sema­nas para ficar pronta, e os preços variam de R$ 500 a R$ 900, dependendo do tamanho e da complexidade artística.