Proenza Schouler - foto: gettyimages
Proenza Schouler – foto: gettyimages

Assistindo online ao desfile da Proenza Schouler, na tarde de segunda (12.09), a emoção era bem próximo de zero. Tudo bem que nos primeiros minutos a transmissão estava muda, mas não era só o silêncio. Ali, pela tela do computador, as roupas não cresciam. Corta para alguns momentos depois e, analisando as fotos com superzoom, era possível ter uma noção maior do incrível trabalho técnico e manual empregado na coleção.

Os vestidos listrados eram, na verdade, de tressês de couro bem minuciosos; os xadrezes, colagens de penas de avestruz; os vestidos assimétricos, construções complexas com tecido microplissado à la Issey Miyake. Há tempos, os estilistas Jack McCollough e Lázaro Hernandez, graças a um bom investimento, apostam em acabamentos e técnicas de luxo para dar todo um novo apelo às suas roupas (uma espécie de sportswear americano supersofisticado e moderno). Para o verão 2017, no caso, eles viajaram para ateliês de alta-costura, na França, para estudar e recuperar alguns processos esquecidos e reinterpretá-los para o presente. Em outras palavras, a couture do século 21 – mas apresentada em formato do século passado. Daí o problema.

Thom Browne - foto: gettyimages
Thom Browne – foto: gettyimages

Coisa parecida aconteceu com o desfile de Thom Browne, só que ao contrário. Por fotos, pouco se entendia dos vestidos retos, com estampas e texturas trompe l’oeil, imitando tailleurs e conjuntinhos dos anos 1970. Em vídeo, por outro lado, já dava para traçar possíveis interpretações sobre a apresentação, ambientada numa espécie de piscina ou resort artificial e pixelado. Uma simplificação bidimensional de rituais sociais, em tempos digitais, como as imagens que inundam nossas timelines? Ou uma solução prática para as necessidades do nosso dia a dia? Independente da visão, nenhuma delas possível ou compreensível estaticamente – aquela questão das experiências, tão importantes nos dias de hoje. Ou da importância da moda enquanto narrativa.

Fala-se muito sobre a eficácia e relevância dos desfiles tal como os conhecemos. Agora mais ainda — reflexo do see now, buy now, que colocou uma lente de aumento sobre uma discussão já um tanto antiga na moda. E se os desfiles de segunda servem para alguma coisa, talvez seja nos lembrar que, neste caso, não existe mentalidade “one size fits all”.