Look de street style de inspiração 70s - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
Look de street style de inspiração 70s – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar

Por Luigi Torre

Não se engane pelas aparências, há mais do que (mais) um simples revival dos anos 1970 nas passarelas desta temporada. As franjas, as calças flare, o veludo, os vestidos boho, as maxissaias, as estampas hippie, a camurça e as tramas artesanais podem, facilmente, parecer apenas interpretações daquele período hedonista e escapista. Mas, na verdade, esta, que é a principal e mais influente proposta vinda dos desfiles nacionais (inverno 2015) e internacionais (verão 2015), é também reflexo na moda dos mais recentes acontecimentos do mundo. Também apresenta, em seus detalhes e materiais, uma nova maneira de pensar, ver, entender e, principalmente, fazer moda.

O melhor exemplo está na Prada, sempre sensível às mudanças do nosso tempo. Seu verão 2015 mistura estampas e tecidos do século 18 com silhuetas 70’s, resultando em algo totalmente novo. Na Louis Vuitton, bem como na Saint Laurent, o vintage do glamour setentista fica atual por meio da tecnologia e máxima qualidade. É o olhar para o passado com olhos do futuro. Algo como uma falsa nostalgia, mas essencial para diferenciar esta das várias outras reinterpretações deste período. Na verdade, não faz tanto tempo desde que a década da disco, do glam rock, dos hippies e do nascimento do punk reapareceu na moda.

O inverno 2015 de Giuliana Romanno e Lilly Sarty - Foto: reprodução / Harper´s Bazaar
O inverno 2015 de Giuliana Romanno e Lilly Sarty – Foto: reprodução / Harper´s Bazaar

Na última temporada, a de inverno 2014, Nicolas Ghesquière, na Louis Vuitton, e Hedi Slimane, na Saint Laurent, abordaram a estética simples, direta, prática e, então, supermoderna com que alguns estilistas (principalmente Yves Saint Laurent) revolucionaram a moda entre os anos 1960 e 1970. Na estação seguinte, de resort 2015, Miuccia Prada continuou explorando os 70’s com seus looks sem gênero, na Prada, e com os tops de crochê, na Miu Miu. Assim como Giambattista Valli, com suas flare e vestidos florais esvoaçantes.

Chegado o verão 2015 internacional e nosso inverno 2015, os anos 1970 já eram a macrotendência dominante. E de várias formas. Do hippie deluxe de Gucci, Valentino e Pucci ao militarismo feminino de Marc Jacobs e Sacai; à androginia da Prada e à espiritualidade New Age da The Row e Haider Ackermann. Já se evidenciava ali algo que marcaria a retomada dos anos 1970 nesta estação. Desta vez, não estamos falando de uma única estética daquela década, mas de todas: tudo junto, ao mesmo tempo. Trata-se da década em si. Do que acontecia nela e de como a moda se relacionava com tudo aquilo.

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Era a época de David Bowie e Ziggy Stardust, do Studio 54, da revolução hippie, da libertação sexual. Era também um tempo de severa crise econômica em várias partes do mundo, incertezas sociais e da Guerra do Vietnã. Na moda, o clima era de escapismo e hedonismo. Superficial, talvez e muito provavelmente. Mas incomodou e serviu para jogar luz naquilo do que se fugia e se esquecia. Algo não muito diferente do que aconteceu com a coleção militar de Marc Jacobs, com o cansaço, com a saturação de “novidades” de Miuccia Prada ou com a imposição homogênea de Phoebe Philo, na Céline, e com o protesto fashion-feminista da Chanel. Ou você acha que tudo isso veio do nada?

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