Foto: Getty Images
Foto: Getty Images

Por Luigi Torre

“Crash & repair” (quebrar e reparar), foi como Christophe Kane batizou seu colorido verão 2016. E só por aí já é possível entender muito do que vimos há pouco na passarela. Sim, num primeiro momento são as cores, primárias, depois ácidos e quase fluorecentes que ficam na memória, mas há muito mais do que apenas combinações (ou seriam explosões?) cromáticas nesta excelente coleção. A começar pelo recorrente tema de construção e desconstrução nessa temporada. Aqui, porém, de maneria quase bruta e primitiva, com recortes geométricos, peças que parecem se fundir ou se colar, como que fruto de uma colisão em alta velocidade ou de uma reparação algo grosseria.

E nesse jogo de monta e desmonta, reforça ainda alguns pontos-chave de seu trabalho nos últimos tempos, principalmente sua alfaiataria. Esta quase sempre sobreposta a peças que trabalha com maestria a exploração de materiais. Plásticos, PVC, rendas, sedas, píton e couro, tudo junto e ao mesmo tempo. Sintéticos e artesanais se combinam a ponto de confundir o olhar.

Sim, Kane tem habilidade especial em transformar o kitsch ou um dito mau gosto em peças desejáveis, o que se aplica perfeitamente a alguns elementos desta coleção (rendas fluo, tricôs com aparência de recém-saídos do estoque do exército da salvação). Porém, agora ele se propõe a muito mais. Assim como na coleção passada, há uma vontade que romper padrões e buscar novas formas. E aqui, com essas constantes colisões e reparos é como se estive quebrando formas e regras pré-estabelecidas em busca de algo novo.