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Quanto tempo você imagina que leva para construir uma jaqueta? No caso do look 10 da coleção de outono-inverno 2026 da Prada, são 21 horas. O tempo é dedicado a uma série de detalhes que evocam o desejo pelo antigo, pelas marcas deixadas pelo uso e pelas imperfeições que parecem guardar histórias. Há algo de especialmente italiano nessa estética que valoriza as rachaduras, a pátina e os sinais da passagem do tempo. Mas, por trás da aparência desgastada, existe um trabalho preciso de modelagem, recortes e intervenção artesanal que transforma uma simples jaqueta preta em uma peça cheia de particularidades.
A coleção explora justamente o que existe por trás da superfície. Em vez de buscar o acabamento impecável como ideal, a Prada investiga as possibilidades da transformação, incorporando descolorações, abrasões e irregularidades à construção das roupas. O resultado é uma estética em que o desgaste não representa necessariamente deterioração, mas uma maneira de revelar novas camadas e identidades.

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Um dos exemplos mais claros dessa proposta é o look 10, composto por uma jaqueta bomber de volume amplo, que remete às silhuetas apresentadas pela marca na coleção masculina da mesma temporada. O modelo combina referências utilitárias com uma aparência marcada pelo tempo: costuras e zíperes parecem oxidados, enquanto o tecido apresenta áreas desbotadas e desgastadas. Os punhos em verde-floresta completam a composição e sugerem elementos recuperados, substituídos ou incorporados à peça ao longo de sua história.

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O segredo, porém, está na construção do tecido. A jaqueta combina popeline de algodão, que forma a camada externa, e lã com padronagem pied-de-poule, mantida por baixo. Os dois materiais são unidos para formar um único tecido dupla face, com características distintas entre a superfície visível e a estrutura interna.

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É nesse ponto que entra a técnica artesanal devoré. Aplicada em áreas específicas da jaqueta, ela provoca a erosão controlada de partes da camada externa de popeline, revelando a lã que permanece escondida por baixo. O efeito de desgaste, portanto, não depende apenas da aparência: ele é produzido por um processo técnico que modifica o próprio material. A transparência assume outra função, deixando de ser um recurso decorativo para se tornar uma maneira de revelar o que antes estava oculto.


