Por Cibele Maciet
IRENE LUMMERTZ VEM de uma família de amantes de joias. Nascida há 41 anos em João Pessoa, terra com abundância de gemas – especialmente as famosas turmalinas paraíba –, seu pai era gemólogo e sua mãe e avó desenhavam as próprias peças. Não é à toa que, ainda criança, brincava com as pedras do pai durante as visitas à mina e já se imaginava com joias montadas por ela própria.“Costumava colar na pele anéis e brincos que via em revistas”, relembra a designer.
O tempo passou, a menina sonhadora cresceu e seguiu os estudos de Letras na Universidade Potiguar, em Natal. Mais tarde, montou um showroom em João Pessoa só com marcas francesas e italianas, que fez um boom na cidade. O trabalho a obrigava viajar para a Europa com frequência para trazer as novidades. Mas o momento econômico do Brasil ficou inviável para seu negócio logo após 1999, quando o dólar recomeçou a subir após a euforia do US$ 1 para R$ 1,e chegou a hora de repensar a vida. Foi num desses dias de grande dúvida que a amiga, a arquiteta paraibana Georgia Suassuna, que morava em Washington, a convidou a se mudar para a cidade. Irene arrumou as malas, deixou o filho com a mãe e o ex-marido, e partiu em busca de um sentido para a vida. “Quando cheguei lá, decidi continuar meus estudos na GIA (Gemological Institute of America), com especialização em pedras coloridas”, conta.A transição para o métier de joalheria foi natural.“Comecei a desenhar minhas próprias peças e a mandar fabricá-las num ateliê de João Pessoa. Estava no sangue, não tinha como escapar do destino.”
Alguns anos depois, o encontro com o marido americano, que trabalha com bens imobiliários, a fez se mudar para Palm Beach,“uma ilha com 10 mil habitantes e 19 bilionários”, na Flórida.“Comecei minha marca em 2004, criando uma dúzia de peças focadas na fabricação sob medida.” Daí, foi um passo para abrir o primeiro ateliê em Palm Beach e, na sequência, uma loja na famosa Worth Avenue, endereço comercial para bolsos bem avantajados.
Alguns snow birds célebres – pessoas que moram em outras cidades, como Nova York, e costumam fugir para a ilha no inverno – tornaram-se seus clientes. Jane Holzer (musa e amiga de Andy Warhol, uma colecionadora de arte com quem Irene costuma passar réveillon) e sua neta, a atriz Emma Holzer, acumulam mais de dez peças da designer. A estilista Lisa Perry – mulher de Richard Perry, dono da Barney’s – é outra fiel das joias da brasileira. A top Karlie Kloss e a atriz Jaime King também são clientes. No Brasil, além de Faustão, que já caiu de amores pelas peças da paraibana, a estilista Carol Bassi é admiradora de suas criações.A lista não para por aí.“Se eu falar o nome de alguns de meus clientes, as pessoas vão achar que estou inventando ou fazendo onda.” Mesmo assim, Irene revela ter bons compradores em Washington, capital política, mas não dá nome aos bois.“It is top secret”, despista.
O processo de fabricação das peças, com pedras preciosas e semipreciosas 100% brasileiras, entre turmalinas, rubelitas, prasiolitas, citrinos, quartzos, águas-marinhas, safiras e topázios, é um capítulo à parte: é inteiramente artesanal e feito em São Paulo, num ateliê especializado. “Minhas peças são únicas e faço questão de usar pedras orgânicas, sem aquecimento ou tingimento para ressaltar a cor, como muitas marcas fazem”, destaca. “Prefiro as raras e com cores muito puras, como a turmalina watermelon, gema bicolor dificílima de ser encontrada e de uma beleza excepcional.” Com ela, já comercializou um dos modelos cults da marca, os anéis e brincos Three Stone, três pedras em tamanhos diferentes lapidadas em formato de esmeralda ou brilhante e montadas em ouro 18 quilates, um escândalo de beleza. Essas e outras peças poderosas, em breve, ganharão uma nova vitrine. Desta vez na Big Apple. “Vamos abrir uma loja em Upper East Side. Está mais do que na hora de pensar nessas clientes.” Elas agradecem.






