Salvatore Ferragamo, inverno 2020 -Foto: Divulgação

A pandemia do novo coronavírus e a quarentena influenciaram não só a maneira como marcas e estilistas trabalham, mas também a forma como consumidores enxergam a compra de uma nova peça e os critérios que levam em consideração antes de adquirir uma peça de luxo. Para Paul Andrew, diretor criativo da Salvatore Ferragamo, o conceito de que um modelo deve durar mais do que apenas uma temporada já o guiava antes mesmo de passarmos pela situação atual.

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“Sempre vi a Ferragamo como uma marca fácil de usar, de qualquer maneira. Odeio uma moda complicada e muito conceitual, tudo o que crio, quero que as pessoas possam usar e gostar. Acho que quando você compra Ferragamo não é apenas para uma temporada, é um investimento. Fazemos peças de luxo, o que influencia no preço, e quero que alguém compre um modelo e sinta que pode usar nesta temporada, na próxima, daqui cinco, dez anos e, até mesmo, passar para a próxima geração”, afirmou Andrew em um evento online para editores de moda da América Latina.

Esta filosofia conversa perfeitamente com as análises de consumo pós-pandemia. O período de confinamento fez as pessoas refletirem a necessidade de equilíbrio entre quantidade e qualidade, além de intensificar discussões acerca de sustentabilidade, representatividade e meios de produção responsáveis.

Paul Andrew – Foto: Divulgação

Para Paul Andrew, passar mais tempo em casa fez com que as pessoas dessem mais valor a uma forma casual de se vestir. Usando o escritório da própria Ferragamo como exemplo – a marca está retomando aos poucos seu trabalho presencial -, o diretor criativo enxerga uma desvalorização em peças mais sociais, um menor uso de gravatas e uma vontade de se vestir de forma confortável e alegre.

“Estamos entrando em um momento em que as pessoas querem peças que são mais casuais e simples e, definitivamente, temos criado algo assim. Mas acho que as pessoas também querem se divertir. Então vocês vão ver que tem belas cores e estampas que irão aparecer nas próximas temporadas”, analisa.

Sustentabilidade

Salvatore Ferragamo, inverno 2020 -Foto: Divulgação

Tópico essencial quando falamos de moda – uma das cadeias mais poluentes do mundo -, a sustentabilidade deixou de ser um nicho dentro do mundo fashion, para se tornar uma característica esperada pelos consumidores de grandes marcas. Paul Andrew afirmou que, nos últimos tempos, este é um assunto que se tornou uma de suas obsessões.

“Combinei com meu time criativo que precisamos nos assegurar de que 25% dos nossos materiais sejam de fato produzidos de forma sustentável até o final de 2022. Além disso, a Ferragamo assinou o Fashion Pact (acordo entre grandes grifes, como Burberry, Chanel e Prada, com metas de produção que diminuem os impactos ambientais)”, analisou o estilista sobre as medidas da grife.

Para Andrew, o fato de Salvatore Ferragamo ser uma empresa grande faz com que a marca tenha a missão de estar à frente destas mudanças. “Pessoalmente, me dei a missão de abraçar isso e, não só nas próximas coleções, mas nesta última já temos diversos itens feitos de maneira sustentável ou com materiais ecológicos”, conclui.