Por Luigi Torre
Não há muito o que dizer sobre o inverno 2016 da Dior. A coleção é correta, bem alinhada aos códigos da marca e às vontades do momento. Traz a alfaiataria superfeminina da dior em ternos cinturados com saias lápis e barras com babados, maxicasacos com golas de pele sobre blusas de gola rulê, vestidos com bordados de miniflorais e mangas caídas dos ombros (como na alta-costura) e uma interessantes oferta de tricôs com formas um tanto inovadoras (de longe, as melhores e mais interessantes peças do desfile).
Porém, a falta de diretriz é clara. E não por falta de talento da dupla Lucie Meier e Serge Ruffieux, no comando da equipe de estilo até a nomeação de um novo diretor de criação. Mas por esta se tratar de uma coleção intermediária, fadada ao esquecimento. E pelo simples e único motivo de não haver ali mensagem ou visão precisa. Sob comando de John Galliano, a Dior era sobre um romantismo extravagante, por vezes de uma grandiosidade teatral sem limites. Com Raf Simons , que deixou a maison no fim de 2015, a mensagem era de uma feminilidade moderna (ou feminismo moderno até). E ambos oferecendo, ao mesmo tempo, um forte senso de história – da moda e da marca. Agora, ao combinar todos esses elementos, a narrativa cai numa espécie de limbo criativo, sem.
Não se discute a qualidade e e beleza do que se viu na passarela. E consumidoras alheias às discussões dos círculos fashion não encontrarão problema alguma na hora de atualizar a compra. Fala-se apenas da necessidade de ponto de vista – elemento essencial para dar a relevância, contexto e, por vezes, emoção essencial à moda. Pelo menos a que quer refletir ou fazer história.
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