Desfile Maria Bonita/Foto: Reprodução

Por Sylvain Justum

Orgulhosa de ser brasileira, a Maria Bonita não se cansa de criar em cima da cultura e da geografia de nosso País.

Neste inverno, a topografia ribeirinha os seringueiros de Rondônia inspiram uma coleção felpuda, onde predominam lãs e pelúcias, dando forma a vestidos midi afastados do corpo e uma alfaiataria confortável, de modelagem boyfriend. Danielle Jensen tem uma queda pelo mix de texturas, é sabido, pois aqui ela trata de mixar as lãs ao crochê e a algumas ousadias tecnológicas.

Formas simples, em castanhos e verdes, com pitadas de rosa e amarelo, intercalados pelo print de paisagem nativa.

Pontua todo o desfile o trabalho artesanal do tressê de cestaria, seja no sapato masculino de salto feminino, nos cabelos magistralmente construídos por Celso Kamura ou em partes dos vestidos-casacos – sempre eles! -, vazados providenciais para amenizar o peso da penugem. Efeito semelhante ao de rede com peixinhos bordados, em vestido e calça, ou no grafismo indígena conseguido com canutilhos.

Paira um mood de anos 20 na coleção, seja na forma ou na decoração – as franjas metálicas do bloco final – e é notável o exercício de construção e desconstrução da alfaiataria ao longo da apresentação. Lindas as frentes-únicas com lapelas de paletó.

MELHOR LOOK: Frente-única de alfaiataria, imitando as lapelas do paletó e estampada de paisagem nativa. Para combinar, calça cropped
e sapato masculino/feminino

ACESSÓRIO: Chapéus e bolsas vazados a laser e com exemplos da fauna brasileira estampados. Tem onça, bicho-preguiça, tucano…

BELEZA: Cestaria na cabeça graças aos cabelos arquitetônicos executados por Celso Kamura. A junção de delicadas tranças formou desenhos que conversavam diretamente com as roupas