Bruna posa no brechó novaiorquino A Second Chance com peças Chanel vintage - Foto: Reprodução/Harper's Bazaar

Por Bruna Tenório, especial para a Harper’s Bazaar

Lá em Maceió, onde nasci e cresci diante das mais belas praias do mundo, só saía para comprar roupas em ocasiões especiais. Toda vez era a mesma frustração, pois tudo que encontrava considerava comum e sem graça. Então, para a peça ficar do meu jeito, pedia à minha mãe, Bernadete, que a modificasse e, para completar o look, misturava com as minhas roupas “velhas”, também customizadas. Corria para me olhar no espelho e achava o máximo o ar de exclusividade. Agora, constato que, desde aquela época, se manifestava em mim a atração pelo conceito de brechó, sem que ao menos eu soubesse da sua existência.

Em seis anos morando em Nova York, descobri muitos brechós dos quais virei fã. Cada um a seu estilo, atendem perfeitamente às minhas necessidades. Quando preciso de uma peça mais ousada, como um vestido de noite, minha escolha é o Resurrection (217 Mott Street), no Soho. Para itens mais básicos e modernos, indico o INA (207 West 18th Street) e o Tokyo 7 (83 East 7th Street).

Minha dica principal para comprar é ser cuidadosa ao analisar a peça. Gosto de olhar algumas vezes se a roupa escolhida está em bom estado e não compro nada que não possa experimentar antes. Experimento e observo, calmamente, o corte e a modelagem para ter certeza de que é original. Se quero comprar um sapato, olho o solado e vejo se está com pouco uso. E só compro se vestir feito luva.

Foto: Reprodução/Harper's Bazaar

Para usar as raridades compradas, a dica é compor looks mesclando peças de coleções atuais – as minhas, normalmente ganho de presente dos estilistas para quem faço desfiles e campanhas.

Foi por acaso, durante os castings para a semana de moda de Nova York, na temporada de verão 2007, que deparei com o primeiro brechó da minha vida, o A Second Chance, no Upper East Side, especializado em grifes como Chanel e Hermès. Quando entrei naquele “sítio arqueológico da moda” fiquei tão fascinada que me senti a própria Alice explorando o País das Maravilhas.

Percebi que ali teria a liberdade de construir minha própria identidade. Grande parte da minha coleção de bolsas grifadas foi comprada lá, por menos da metade do preço a que são vendidas nas lojas normais.

O A Second Chance serviu de inspiração para minha entrada no mundo dos negócios. Abri, ano passado, o primeiro brechó de luxo em Maceió, batizado de Sfilata (desfile, em italiano), onde vendo peças do meu guarda roupas que não uso mais e também garimpadas em diferentes lojas ao redor do mundo.