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Prada evoca os anos 1960 e fala de liberdade, fantasia e identidade

Nova coleção da grife italiana é marcada pelos contrastes

by Silvana Holzmeister
Foto: Divulgação

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Miuccia Prada é dona de uma trajetória ímpar. Foi membro do Partido Comunista Italiano, tem doutorado em ciências políticas pela Universidade de Milão e estudou mímica no icônico Piccolo Teatro, onde ocupou o palco durante vários anos. Mas quis o destino que ela assumisse a empresa da família, em 1978. Foi o que fez, sem abrir mão de sua visão de mundo.

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Fotos: Getty Images

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A sociedade e a arte são assuntos sérios e estão sempre atreladas às suas coleções de maneira sutil, principalmente na Prada. No verão 2019, que já começou a chegar às vitrines brasileiras, Miuccia vai da linha A à minissaia, típicos da década sessentista, para discutir o desejo de liberdade e fantasia em contraponto ao conservadorismo que cresce em todo o mundo.

Não foi à toa que a diretora criativa italiana se voltou para as garotas empoderadas dos swinging sixties – considerada por muitos autores como a década mais importante do século 20 por causa do grito social dos jovens exigindo um mundo mais honesto e humano.

Prada, verão 2019 - Foto: Divulgação

Prada, verão 2019 – Foto: Divulgação

Ela olha principalmente para a fase mais geométrica do vestuário desse período, o que vem ao encontro de seu desejo pela simplicidade. As bermudas ciclista e os vestidos baby doll bem curtinhos, ambos em cetim duchese, são pièces de resistance da coleção. Outro ponto imperativo são os detalhes, como os metafóricos decotes restringidos por faixas e vazados, flores aplicadas, botões de ouro, spikes e cristais salpicados nos acessórios.

Pela força do styling, conflitos e estranhezas viram, ainda, estéticas desejáveis, como sapato masculino pesado em contraponto com meia de náilon transparente. O conjunto mostra como a moda reflete as mudanças que ocorrem na sociedade. A maneira como Miuccia faz essa costura evidencia sua visão crítica aliada ao afiado senso estético e à coragem de seguir seu feeling. “São looks aparentemente perfeitos, típicos do classicismo burguês, mas deliberadamente ‘imperfeitos’ para a mulher não convencional.”

Fotos: Getty Images

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Tudo isso embalado por uma atmosfera artsy. Começando pela inauguração do Deposito, onde foi realizado o desfile. O espaço, o mais dramático e multifuncional da Fondazione Prada, em Milão, é dividido em Terraço, Parterre (teatro) e Varanda – até mesmo os banheiros são um acontecimento. Leva a assinatura do AMO, estúdio de pesquisa e design do OMA, o escritório de arquitetura de Rem Koolhaas que já havia se encarregado da construção do complexo.

Trata-se de um imenso quadrado com estética industrial que pode ser transformado ao gosto da cenografia. O do verão 2019 também ficou a cargo do AMO, que dividiu a passarela em vários corredores cobertos com plástico 100% reciclável estampado com coordenadas cartesianas e acomodou os convidados em réplicas dos bancos infláveis transparentes da Verner Panton dos anos 1960, reproduzidos pela Verpan a pedido da Prada.

Fotos: Getty Images

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Pensando em identidade 360 graus, a dualidade é combustível também para o projeto Prada 365, a estratégia de publicidade que há dois anos é idealizada como fluxo contínuo em detrimento da campanha única. Desta vez, masculino e feminino, ficção e realidade movem os cinco filmes dirigidos por Willy Vanderperre, batizados com nomes femininos de cinco bolsas da marca.

Freja Beha Erichsen é Sybille, Gigi Hadid surge como Sidonie, Maike Inga personifica Margit, Liu Wen incorpora Odette, Anok Yai vive Belle. Todas adotam outra identidade, inventam outro mundo, exercitam a liberdade de serem outras pessoas.

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