Eloisa Stipp e Elle Fadani (Way Model) usam peças  da nova coleção Alexandrine by Batista Dinho - Foto: Hudson Rennan
Eloisa Stipp e Elle Fadani (Way Model) usam peças da nova coleção Alexandrine by Batista Dinho – Foto: Hudson Rennan

Quando estava pesquisando material para sua nova coleção em parceria com a Maison Alexandrine, da empresária Alexandra Fructuoso, o estilista Dinho Batista lembrou-se da ráfia sintética que usou 20 anos atrás em peças feitas com agulhas de tricô e que era encontrada aos montes no popular Mercado de São José, no Recife, onde nasceu.

Muito utilizada no artesanato, a ráfia colorida chegou ao patamar fashion em coleções internacionais. Ela apareceu, por exemplo nos chapéus do desfile do inverno 2017 de Emilio Pucci e, mais recentemente, em um vestido tomara-que-caia da alta-costura da Maison Schiaparelli. No entanto, em ambas as propostas, foi usada como um divertido adorno para dar movimento de franjas às peças nas passarelas.

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Chapéus Emilio Pucci - Foto: Divulgação
Chapéus Emilio Pucci – Foto: Divulgação

Dinho, que deixou a trajetória de estilista em suspenso por muitos anos e se dedicou nesse tempo à assessoria de modelos, entre elas Fernanda Tavares, Michelle Alves, Isabeli Fontana, Cintia Dicker e Emanuela de Paula, retomou o sonho de criar moda no ano passado e, cheio de ideias, decidiu ir além do óbvio.

Desafiou-se a dar uma nova cara ao material. “Achei que poderia aprimorar a ráfia transformá-la num tecido de base para alfaiataria. Comecei a estudar formas de handmade com ela”, conta. O estilista pretendia causar o mesmo impacto das peças que fez em sua coleção anterior com um “tecido” feito de tressê de fitas de gorgurão, desfiladas no SPFWn43, e que também decorou uma linha exclusiva de almofadas da Artefacto que leva sua assinatura.

Ele teve, então, o insight de desconstruir a ráfia. “As fitas sintéticas foram costuradas uma ao lado da outra, manualmente, criando uma placa que foi revestida com uma fina camada de tule italiano”, explica ele. Assim nasceu mais um tecido de economia criativa para o mercado de luxo no portfólio do designer.

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Vestido da maison Schiaparelli - Foto: Divulgação
Vestido da maison Schiaparelli – Foto: Divulgação

Imediatamente, o material barato ganhou status de sofisticação devido à grande demanda de trabalho artesanal e ao brilho único que a invenção deu a macacões, bombers, vestido e saia de sua nova coleção Alexandrine by Batista Dinho.

Ele conta que são necessárias 36 horas de trabalho de um artesão para a confecção do tecido usado em uma peça. “O DNA da minha marca é valorizar o trabalho artesanal e, ao mesmo tempo, despertar desejo na mulher contemporânea.”