Chanel Fall Winter 2015 - Foto: Getty Images
Chanel Fall Winter 2015 – Foto: Getty Images

Por Luigi Torre

“É sobre garotas reais, como garotes reais se vestem”, disse Karl Largerfeld, momentos após o desfile de inverno 2015 da Chanel. Podia muito bem ter dito também que é sobre garotas reais com forte sotaque francês. É que o regional hoje faz mais sentido num âmbito global. Reforça as raízes e dá ainda mais valor ao produto nacional. E assim começa o esperto café-da-manhã de Lagerfeld, mais especificamente na Brasserie Gabrielle, aramada no inteiro do Grand Palais, com direito à café, sucos, champagne, ovos, frutas e croissants.

Suas frequentadoras são como versões contemporâneas dos membros da Café Société, da qual Chanel em si fez parte. Vestem agora não só as então revolucionárias calças masculinas com cardigans de jérsei e os tailleurs de tweeds, mas toda uma série de elementos vindos diretamente das ruas das grandes metrópoles do mundo, só quem versão de luxo. Melhor exemplo fica com as puffer jackets, aqui traduzidas em casacos volumosos e repletos de texturas, boa parte delas em couro. A silhueta também vem atualizada, é mais alongada, com cintura levemente mais baixa, formas retas e sobreposições – as calças sob vestidos e saias, continuam algo como uma obsessão de styling.

E qualquer semelhança com o nome (também Café Société) da futura coleção de joias da Chanel não é mera coincidência. Lagerfeld é também marketeiro de mão cheia. Entendeu, como poucos, a necessidade atual de tratar a indústria da moda como um business de mídia de massa. A diferença aqui é que enquanto muitos só fazem teatro e vestem celebridades (de internet em sua maioria), o kaiser também preocupa – e muito – com a evolução do guarda-roupa atual. Ainda que um composto essencialmente de Chanel.