Campanha Fiorucci (Foto: divulgação)
Campanha Fiorucci (Foto: divulgação)

Por Giuliana Mesquita

Talvez você lembre da marca apenas pelo logo dos dois anjinhos. Mas quem viveu em Nova York da metade dos anos 70 até o começo dos anos 80 conheceu a Fiorucci como uma grande catalizadora de eventos, tendências, festas e, claro, moda. Elio Fiorucci criou a marca em 1967, na Itália, mas foi só quando abriu sua primeira loja na cidade americana, em 1976, que a viu ganhar fãs como Andy Warhol, Keith Haring, Michael Jackson, Madonna, Marc Jacobs e Cher. Só pra citar alguns.

Campanhas Fiorucci (Fotos: reprodução)
Campanhas Fiorucci (Fotos: reprodução)

Não demorou para que a loja virasse ponto de encontro. Marc Jacobs contou, em entrevista ao New York Times, que, aos 15 anos, abandonou o acampamento para passar o verão inteiro na loja. Madonna fez seu primeiro show, pouco antes de virar rainha do pop, na Fiorucci. A marca estampou Divine – atriz e drag queen ícone do cinema underground – em uma de suas campanhas. Ela foi uma das primeiras marcas a criar o jeans stretch, quando se uniu à Lycra, aberta em 1982. Andy Warhol lançou a Interview em evento na loja, assim como a Paper Magazine, que foi vendida pela primeira vez por lá. A marca carregou o ar cool de Londres a Milão e, depois, a Nova York.

Divine na campanha da Fiorucci (Foto: divulgação)
Divine na campanha da Fiorucci (Foto: divulgação)

Em um mercado em que lojas como Dover Street Market e Opening Ceremony têm status máximo de cool, a Fiorucci de Nova York praticamente criou esse tipo de negócio, abrindo precedente e preparando o terreno para o sucesso de lojas que, além de roupas da marca própria, vendem peças garimpadas ao redor do mundo e superdifíceis de achar, vintage, produtos de beleza, decoração e discos. Tudo com uma curadoria apurada e olhar afiado. “Eu acho que a Fiorucci se apropriou de muitas coisas de diferentes culturas e as recontextualizou. Esse é segredo”, apontou Elio em entrevista de 2000.

Bianca Jagger, Liza Minelli, Michael Jackson e Elio Fiorucci (Foto: reprodução)
Bianca Jagger, Liza Minelli, Michael Jackson e Elio Fiorucci (Foto: reprodução)

O apelido de “Studio 54 de dia” veio do fato que a loja tinha a mesma alma cool do lendário clube de Nova York – e a mesma frequência. E mais: quando ele foi inaugurado, em 1977, foi a Fiorucci quem organizou a festa – com presenças como Grace Jones e Bianca Jagger, clientes e amigas da marca, e performance da companhia de dança de Alvin Ailey. A Fiorucci veio ao Brasil representada por Glória Kalil, em 1976, e fechou as portas em 1992.

Mais campanhas vintage da Fiorucci (Fotos: reprodução)
Mais campanhas vintage da Fiorucci (Fotos: reprodução)

No entanto, a importância da marca vai mais além: com as campanhas inusitadas (pense em micro-shorts com o bum-bum de fora) e as roupas divertidas, a Fiorucci deu o start na moda divertida e barulhenta que, pouco mais pra frente, invadiria os anos 80. Sua principal influência era a moda de rua, que democratizou a moda. Sua linha de ready-to-wear, lançada em 1970, focava em jeans e peças acessíveis. Quarenta anos antes do boom dos looks do dia e dos blogs de streetstyle.

A loja de Nova York fechou em 1986 e, com o passar dos anos, acabou caindo no esquecimento. Hoje, com a morte de Elio, a Fiorucci volta a ser pauta. Mesmo que não com a mesma alegria e irreverência que a fez famosa no passado.