Laudomia Pucci - Foto: Divulgação
Laudomia Pucci – Foto: Divulgação

Ela é cercada por uma aura intocável, mas de uma generosidade que salta aos olhos. Laudomia Pucci, herdeira do marquês Emilio Pucci, fundador da marca, não é apenas uma “filha de”. À frente da grife florentina, a italiana tomou as rédeas da maison à época da morte do pai, em 1992.

O marquês, que ganhou notoriedade nas páginas da Harper’s Bazaar com seus looks chiques para esportes de inverno, lhe deixou um legado que soma sete décadas de brilhantismo.

Esteve no cargo de diretora executiva até 2000, quando vendeu 67% da empresa ao grupo LVMH. Desde então, é vice-presidente e diretora de imagem da maison com pulso firme. “A Pucci é uma marca que nasceu do luxo para o luxo. Me agrada dar continuidade ao trabalho do meu pai: o alfabeto da cor, a italianidade, a mistura inteligente de estampas.”

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Manequins da Bonaveri com peças Pucci - Foto: Divulgação
Manequins da Bonaveri com peças Pucci – Foto: Divulgação

Assim começa a conversa com a Bazaar no Pallazo Pucci, residência da família desde o século 13. A alguns passos do Duomo, o prédio ocupa um quarteirão inteiro é e decorado com pinturas históricas e estuques – os da Sala Bianca foram feitos por Giovanni Battista Foggini, mesmo autor dos adereços da Sala Bianca do famoso Palazzo Pitti, que foi sede, ateliê e primeira loja da grife.

Hoje, aberto ao público, ganha o título de Emilio Pucci Heritage Hub, com equipes de conservação, classificação, fotografia e restauração das silhuetas históricas espalhadas pelos aposentos. Os tapetes, nas tonalidades azul Capri e rosa Emimio, são assinados pela Pucci, assim como as poltronas em parceria com a B&B Italia.

Alguns manequins da Bonaveri, parte da exposição Bonaveri, a Fan of Pucci, exibidos em junho, ainda estão ali. “Depois da grande restauração que fizemos aqui, resolvemos criar uma espécie de showroom, e não de museu. Em Florença já existem 69 deles, não precisávamos de 70!”, brinca ela.

Manequins da Bonaveri com peças Pucci - Foto: Divulgação
Manequins da Bonaveri com peças Pucci – Foto: Divulgação

Sem estilista há mais de um ano – após a saída de Massimo Giorgetti, em abril de 2017 –, a marca se apoia nas coleções do estúdio de criação. Questionada sobre quem será o próximo designer, Laudomia parece não ter encontrado o nome certo.

“Não temos pressa. Queremos alguém que conheça e dê valor à história da Pucci e, ao mesmo tempo, frescor e juventude”, explica. “Não é fácil desenhar, conhecer marketing e, ainda assim, ser criativo com tão pouco tempo entre as coleções”, acrescenta. Mãe de três filhos, Larissa, Tancredi e Zenaide, ela prefere não pensar em quem assumirá a empresa familiar no futuro.

“Larissa, 22 anos, desenhou recentemente um foulard magnífico, mostrando que tem muito talento. Mas ela estuda nos Estados Unidos, não quero apressá-la, prefiro que siga seu instinto.” Tema recorrente das coleções, os foulards têm um lugar especial na grife.

Manequins da Bonaveri com peças Pucci - Foto: Divulgação
Manequins da Bonaveri com peças Pucci – Foto: Divulgação

“Tudo começa com o desenho, parte crucial numa marca que ficou famosa por estampar roupas de esqui. A inspiração vem dos arquivos, do palazzo, da Villa di Granaiolo – casa de campo pertencente à família Pucci desde o século 16 – e também da Renascença italiana”, detalha.

“Depois, vem a parte mais difícil, a da escolha de cores. Meu pai criou uma cartela de 400 cores – que não estão na cartela da Pantone! – inspirada na natureza, e nos baseamos nela para misturar as tonalidades”, conta Laudomia. “Claro, temos a ajuda do computador para isso, mas ainda soa muito como uma manufatura, fatto a mano.”

Emilio Pucci em shooting no telhado do palazzo - Foto: Divulgação
Emilio Pucci em shooting no telhado do palazzo – Foto: Divulgação

Laudomia enaltece a indústria de moda italiana, mas reconhece que os tempos são outros. “Desde o final da guerra, fizemos coisas incríveis. Mas acho que, às vezes, nos falta a energia de antigamente. Até duas gerações, éramos feitos de brava gente: inventamos a dolce vita italiana, criamos companhias incríveis, com muita visão.”

Segundo ela, o desafio agora é se adaptar. “Temos de ser inovadores, inteligentes, curiosos, pensar ‘fora da caixa’. Essa geração que nasceu online verá as coisas de maneira diferente de nós. Como eles contarão tudo isso a seus filhos?”, questiona ela. É o que veremos, cara Laudomia.