Por Camila Lanhoso Martins

Nessa temporada, Ronaldo Fraga decidiu que seu desfile seria um ato de amor, guerra e resistência para inúmeras adolescentes que lutam para serem aceitas na sociedade.

Meninas trans de 18 a 25 anos, espalhadas por todo Brasil e de todas as profissões, receberam mensagens pelo Facebook e, sem saber, já estavam participando de um casting via web. Do outro lado das mensagens estava Fernando Valiengo, que as chamava para São Paulo para um segundo casting para desfilar para uma grande marca do SPFW. Ninguém sabia ao certo qual estilista seria e qual seria a surpresa. Um dia antes foi o encontro de todos no teatro São Pedro, que tem uma vasta história e foi o cenário escolhido para a apresentação.

Uma delas, por exemplo, é Alice Marroni, que estuda psicologia na USP, canta e tem uma banda que chama Mona e outros Mares. Já Gabrielle Joie, 18 anos, sonha em seguir o ramo de moda.Guilhermina estuda em um curso preparatório e pretende estudar audiovisual na USP.

Foi pensando nessas histórias que Ronaldo fez um discurso explicando por que ele considera que ser trans é sinônimo de amor, guerra e resistência. Ele lembrou que o Brasil é o país que mais mata pessoas transexuais no mundo e é por isso que não é possível desassociar a causa da luta – um exército afronta essas meninas todos os dias quando não as respeita, não as trata pelo nome social, não garante a elas oportunidades.

Nessa quarta-feira (26.10), quando o desfile começar, a moda será um instrumento de transformação.