Simone Nunes – Foto: Divulgação

Era início dos anos 2000 quando Simone Nunes estreou como estilista. Passou pela Casa de Criadores, pelo projeto Hot Spot e chegou ao SPFW. Sua última coleção, verão 2011, deixava claro, àquela altura, sua visão inconformista: clash de estampas, recortes, cores, modelagens e volumes.

Corta para o final de 2016. Nascia a Room, com foco voltado para o tricô e vocação para exalar lifestyle, de preferência sem amarras e esbanjando liberdade criativa. Foi por isso que ela resolveu comercializar a sandália com shape exagerado que havia desenvolvido para si. De cara, a “Pillow” causou estranhamento mas, sem passar despercebida, virou sinônimo da marca e ganhou, inclusive, destaque internacional.

E vai começar 2021 alçando voo. “Vendi minha parte para um investidor, o Sandro Galvão (Disk Films), e permaneço na marca como diretora criativa”, explica Simone, acrescentando que a base operacional será transferida para Milão, para viabilizar a expansão na Europa e Ásia.

A sandália “Pillow”, que virou sinônimo da Rooms: o shape exagerado ganhou destaque até no exterior – Foto: Divulgação

Outro braço da empresa permanecerá por aqui, facilitando o contato com países da América Latina e Estados Unidos. A proposta, explica ela, não é popularizar a “Pillow” – que continua podendo ser customizada sob encomenda – mas ampliar o portfólio.

Nesse aspecto, a pandemia foi providencial. “Vi que a marca tem exatamente o conceito do tempo que estamos vivendo”, reflete, referindo-se ao afetivo fato de a “Pillow” fazer conexão com o travesseiro e a clutch “Pillow Case”, com a fronha.

Há, ainda, a manta de alpaca para ser usada dentro ou fora de quatro paredes e as joias vindas de referências antiguinhas, como a reprodução do brinco que ganhou ao nascer. Ou seja, a estética inspirada em elementos da casa, que surgiu no ano passado, sempre esteve no seu radar – em parte porque, nos últimos anos, ela passou mais horas dormindo em aviões e hotéis do que na sua própria cama. Resultado: o distanciamento social que a obrigou a permanecer quieta acelerou seu processo criativo.

 

A sandália “Pillow”, que virou sinônimo da Rooms: o shape exagerado ganhou destaque até no exterior – Foto: Divulgação

Dessa fase borbulhante, Simone acaba de lançar dois novos modelos da “Pillow”, exclusivamente para o Shop2gether – uma versão tamanco e outra colorida, em colaboração com Ana Isabel de Carvalho Pinto, cofundadora do IcommGroup, que detém o e-commerce.

Neste mês, apresenta a linha de joias masculinas. Em fevereiro, inaugura o projeto “Guest Room 01”, com as sandálias decoradas com bordados, plumas e veludo da parceria com o stylist Pedro Salles. No forno também estão a collab verão 2021 com a Farm – que será vendida apenas nas lojas de Nova York da grife carioca – e a ampliação das linhas de sapatos, bolsas e home, além da criação do primeiro relógio e o resgate das coleções de roupas.

Haja fôlego, porque Simone ainda comanda outra marca, de moda praia, que ganhou forma em 2013 como trabalho final do curso em branding e marketing que fez em Londres. “Não ia ser colocado em prática, mas os professores insistiram e acabei criando a ‘Serpentina’.”

A sandália “Pillow”, que virou sinônimo da Rooms: o shape exagerado ganhou destaque até no exterior – Foto: Divulgação

Já na primeira coleção, de 2016, ela firmava o compromisso de, a cada peça vendida, doar uma muda de árvore ao Instituto Ipê para reflorestamento da Mata Atlântica e, com isso, contribuir para o resgate de nascentes de rios, em um ciclo de restabelecimento do ecossistema e da biodiversidade.

Com forte posicionamento no exterior auxiliado pela sócia Luciana Prado, baseada na Suíça, a estilista quer aquecer a “Serpentina” no Brasil entre mulheres que não abrem mão do contato com a natureza e amam esportes aquáticos. E mais: em sua mira, há outros projetos colaborativos, aqui e lá fora, dentro da trajetória construída desde que abandonou as passarelas.