Por André Aloi

Uma academia de boxe improvisada debaixo de um viaduto em São Paulo foi o cenário que elegemos para Sabrina Sato posar para nossa body issue, que chegou às bancas na quinta (14.07).

Apesar do clima oitentista do ensaio, que se estendia até para a trilha sonora daquele dia, todo o resto era moderno. É que não havia câmeras tradicionais, e sim celulares, que capturavam todos os movimentos da apresentadora. A ideia partiu de José Cabaço, diretor criativo dessa edição, que propôs há alguns meses que fotografássemos toda a revista usando apenas dispositivos móveis.

Além da dezena de profissionais que a cercavam, entre maquiadores, stylists e fotógrafos, a apresentadora atraía olhares curiosos de quem estava do outro lado da rua. Não acreditavam ser ela. Mas com a concentração de cliques ao seu redor, a confirmação foi certeira. Em um camarim improvisado na casa colada à academia, no intervalo das fotos, Sabrina devorava uma salada mexicana com arroz e frango ao curry, do restaurante Mestiço, enquanto conversava com Bazaar.

Ali, divagou sobre sucesso, memórias dos tempos de dança, do que gosta de fazer quando não está sendo observada. Ela fala rápido, brinca, reclama quando não gosta de uma coisa. É transparente. A mesma de seu programa semanal, na TV Record. Na vida real, não há personagem. “Acho tão atraente quando falam pra mim que fulana não é tão boazinha como ela aparenta. Quero ser amiga dela”, ri. “Eu, infelizmente, sou igual. Todo mundo fala que sou atrapalhada”.

Foi com esse jeito espevitado que conquistou o ator Duda Nagle, com quem namora há cinco meses. Não se desgrudam. Foi ela quem tomou a iniciativa, inclusive, para o status de relacionamento engatar. “A gente se conheceu nas redes sociais, mas apesar dos ‘ois’ nos eventos, nunca havíamos parado para conversar. Então mandei uma mensagenzinha para ele no Instagram. Eu tomei a iniciativa e convidei ele pra tran…”, ri. “É brincadeira. A gente marcou na minha casa. Ele pensava que quando abrisse a porta, seria um trote ou uma pegadinha. Porque estávamos trocando mensagem por Whatsapp, mas a gente não tinha se falado nem por celular. Pensei: ‘será que vai dar certo isso?’. E deu”, comemora.

Em casa, Sabrina afirma que se sente uma “caipirona” que gosta de ficar com os amigos, comendo em volta da mesa. “Tomo sol na piscina, assisto a várias séries”, revela. Com essa vida simples, com o que Sabrina, então, gasta dinheiro? “Dólar está alto, a vida está cara… Gasto com roupa, maquiagem. Eu acho que a maquiagem conta muito quando você põe uma roupa. O que acho mais legal é que você pode se esconder, criar cada dia uma mulher. Tenho preguiça de ser sempre a mesma, não tenho medo. Às vezes, prefiro errar”.

Em ano de Olimpíadas no Brasil, Sabrina escolhe uma filosofia do esporte mais popular do país para rebater às críticas. “Sou como um jogador de futebol, só ouço elogios. Não dou bola para a torcida”. Com uma carreira consolidada, o que ainda falta para ela conquistar? “Quero falar várias línguas, viajar para muitos lugares, casar, fazer muitas coisas”.

IMPORTÂNCIA DO CORPO
Sabrina Sato acredita na máxima de que seu corpo é um templo. “Pode ser tanto libertador quanto uma prisão. Tenho de estar bem com ele, conversando e ajeitando seu funcionamento. Eu fico pensando: vai dar tempo de fazer isso até certa idade?”, indaga. “Fiz ginástica olímpica, natação, tudo o que você pode imaginar de esporte. Eu seria fácil uma atleta se fosse disciplinada. A primeira vitória é vencer os próprios medos. Parece uma filosofia barata do esporte, mas é muito importante para a formação porque você tem que aprender a ganhar e perder logo cedo. Forma muito o caráter! Sempre falo que acho que o esporte pode transformar a vida de muita gente”.

ESPORTES
Aos 35 anos, a japonesa pratica boxe, muay thai, corrida… Tudo porque gosta. “Sou hiperativa. Dá uma segurada nas emoções. Sou viciada nessa coisa de liberar os hormônios (como o chocolate, que dá sensação de felicidade por causa da endorfina). E também o cansaço que preciso ter no corpo (para dormir)”, situa. “Não faço dieta. Eu como, bebo, tomo cerveja e refrigerante. Doce, eu não corto. Se eu não beber álcool por 15 dias, já seco”. Por causa das mil atividades do trabalho, incluindo reuniões de pauta, viagens, ensaios fotográficos e compromissos com marcas, não consegue ter uma rotina de treino. “Hoje estou aqui, fotografando. Saindo, vou pra Record, chego em casa por volta das 23h, e ainda vou jantar com a minha família e o Duda. Acabo treinando sábado ou domingo. Pra mim, isso é lazer”.

MODA
Sobre seu estilo ter sofrido uma enorme transformação, ela é enfática: “Já faz muito tempo”. Se alguma marca algum dia não quis que ela fosse garota-propaganda, já faz mais de uma década. “Eu acho que a moda é muito democrática, ainda mais com as japonesas, que são sempre amadas. Não posso reclamar, nem gosto de me fazer de vítima. Eu acho que o legal é que, cada vez mais, tem ficado claro que mais importante do que beleza é ter personalidade. Tanto que, em cada edição do SPFW, a modelo da temporada não se sobressai por causa da beleza, mas por um olhar diferente, algo que tenha chamado a atenção”, argumenta.

Sua relação com estilo vai além disso: sua avó era costureira, o avô alfaiate e sua mãe dona de loja de roupas. Vem daí o gosto por se vestir bem. “Eu sou muito livre. Depende do dia, da hora. Não sou daquelas que se leva muito a sério. Procuro me divertir. Não tenho medo de me vestir ou despir. Nem sempre quero ser a princesa ou a bonita. Prefiro ser a esquisita.”

RELACIONAMENTO
Com Duda Nagle desde o fim de fevereiro, tem vivido os meses mais intensos no relacionamento. “Ele é muito legal, tem paciência comigo. Me acorda quando vê que não levanto nem com o despertador. Ele disse que colocou isso como missão de vida: me acordar. Ele tem umas características muito engraçadas: simples, tranquilo e não faz tipo. Se vê pelo jeito que se veste, como conversa. Você conhece de cara. Ele é seguro”.

A pressão para casar não vem da família ou do casal. É a imprensa a parte mais interessada no “sim” de Sabrina. “Em cima da mulher tem muita pressão quanto a isso. Como se o sonho de toda mulher fosse ter uma família. Mas eu quero. Quando as pessoas menos perceberem, vou casar.” Ela mesma sabe que não faz o estilo de celebridade que vai aparecer casada depois de uma viagem. “Não consigo ser low-profile, sou exibida. Que graça tem fazer isso escondido?”, ri. “Vou ter que fazer várias festas, pois vou querer usar vários vestidos e maquiagem.

MATERNIDADE
Ser mãe está em seus planos. Mas nada de recorrer à fertilização in vitro com óvulos congelados. “Meu óvulo é de uma menina de 20 aninhos”, gargalha. Talvez não sentir a idade, como alguém que ruma para os 40 anos, seja um problema Sabrina. “Eu não me sinto com 35, fazer o que? Me sinto com 18. Eu quero (ter filhos). Minha mãe fala que com a minha idade já tinha três. Ela fala isso porque quer que eu seja feliz. Eles (a família) têm certeza de que se eu for mãe, vou ser mais feliz. Tenho um espírito maternal muito grande até com os amigos”.

Sabrina nunca morou sozinha. Gosta de trazer gente pra casa. Tanto que hoje mora com um primo de 18 anos, do interior, que veio para São Paulo estudar. Ela limita-se a falar que ele é nerd, faz faculdade e superdiscreto. Em sua casa, o clima é de festa. “Sempre tem gente. Você não pode imaginar. Mas isso não é novo. Minha vida sempre foi assim desde pequena. A casa da minha mãe era assim. Da minha avó, também. Lá em Penápolis (interior de São Paulo), nunca tive meu brinquedo, meu cachorro. Sou hippie, gosto de morar em comunidade”, pontua.