Foto: Ester Oliveira

A moda sempre foi uma extensão natural da personalidade de Sabrina Sato,  potente, com a qual ela comunica quem é sem precisar dizer muito. Ao longo dos anos, seu estilo se consolidou como uma mistura de ousadia, humor e autenticidade, se tornando umas das referências de estilo no Brasil, mas foi com a maternidade que essa narrativa ganhou novas camadas.

Desde a gravidez, Sabrina escolheu ocupar um espaço ainda pouco explorado: o de uma feminilidade que não se encaixa em expectativas rígidas. Ao apostar em uma estética mais sensual e provocativa, ela tensionou a ideia tradicional do que se espera de uma mãe, reforçando, com naturalidade, que não existe uma única forma de viver esse papel.

Essa transformação, no entanto, vai além da roupa. Tornar-se mãe trouxe novas perspectivas sobre o corpo, o tempo e as prioridades.

Nesta conversa com a BAZAAR durante o evento da Renner no MASP ela reflete sobre as mudanças no estilo pessoal, a relação com o próprio corpo e os valores que deseja transmitir para Zoe, sua filha.

Harper’s Bazaar Brasil: A moda sempre foi uma forma de expressão muito forte na sua vida. Como o seu estilo mudou depois da maternidade?

Sabrina Sato: Eu acho que tenho uma personalidade meio… rebelde passiva (risos). Eu vou mostrando, não fico falando muito, mas vou ali, com a minha forma de ver a moda, vestindo o que eu sempre quis. E eu senti isso desde a gravidez. Fiz questão de provocar um pouco esse olhar, sabe? Quis ser uma grávida mais sexy, quebrar esse lugar de que mãe tem que ser de um jeito só. Para mim, era importante mostrar que mãe pode tudo.

Depois, claro, a rotina muda um pouco. Teve momento que eu desci do salto, fui mais para o tênis, porque a vida pede isso. Mas eu não deixei de ser quem eu sou.

HBB: Você sente que ser mãe influenciou sua relação com o próprio corpo e com a forma de se vestir? De que maneira?

SS: Acho que nós, mães, ficamos muito mais interessantes, mas no começo dessa transformação nem você se reconhece com tantas mudanças no corpo, na rotina, na forma como a gente ama. É muito louco, porque você precisa aprender a lidar com uma versão sua que é nova. A transformação é tão grande e tão rápida que você olha e pensa: “sou eu mesmo?”. E às vezes se vê fazendo coisas que nunca fez, que achava que jamais faria… mas, ao mesmo tempo, isso vai te transformando, no meu caso, para a minha melhor versão.

Eu me tornei uma pessoa muito mais paciente, mais tranquila, mais consciente com o meu corpo. Antes eu era mais explosiva, mais acelerada, até no trânsito (risos). Hoje eu já penso diferente, tenho outra calma.

HBB: Pensando no futuro, que valores você gostaria de transmitir para sua filha sobre moda e autoestima?

SS: Acho que a gente tem que aproveitar mais, sabe? Aproveitar os momentos, rir deles também, porque tudo passa. Eu sempre falo muito isso. Quero que ela cresça com essa leveza, de curtir a vida, de não se cobrar tanto, de aproveitar cada fase.

Quando a gente fala de moda e autoestima, para mim tem muito a ver com isso também. Não é sobre regra, não é sobre padrão, é sobre se sentir bem, se reconhecer, se divertir. Quero que ela tenha liberdade para ser quem ela quiser, para se expressar, para testar, para errar também — porque faz parte. E, acima de tudo, que tenha segurança nela mesma. Acho que esse é o maior valor.

HBB: Qual peça do seu guarda-roupa você definiria como “Sabrina Sato”?

SS: Camisas brancas são minhas peças favoritas do guarda-roupa, vocês têm noção? Pode parecer básica, mas, para mim, ela é tudo menos básica (risos).

Gosto porque é uma peça que dá para transformar de mil formas. Você pode usar mais clássica, mais sexy, mais fashion… tudo depende das composições.

HBB: E qual peça você gostaria de guardar para a sua filha no futuro?

SS: Eu já estou meio que fazendo isso sem perceber (risos). Tenho um apego muito grande aos meus looks mais marcantes, principalmente os de Carnaval, porque cada um carrega uma história, um momento muito importante da minha vida. Vai ser maravilhoso ela poder ver tudo isso de perto.

Inclusive, nessa semana acontece uma exposição que reúne alguns desses figurinos mais icônicos no Rio Fashion Week. É um projeto lindo do Henrique Filho, com idealização do Milton Cunha e curadoria do Gringo Cardia, que mergulha nesse universo da alta-costura dentro do Carnaval.

Mas, independente disso, com certeza quero deixar um acervo para a Zoe. Guardar peças que marcaram momentos especiais da minha vida — não só pela roupa, mas pelas histórias que elas carregam.