Samuel Cirnansck - Inverno 2013/Fotos: Marcio Madeira

Por Sylvain Justum

Samuel Cirnansck embarca na tendência de síntese que marca a temporada e enxuga sua coleção de inverno. Na forma e no conteúdo. Inspirado pelo Egito, apresentou apenas 15 looks, todos ricamente trabalhados, como de costume, mas construídos com materiais menos nobres. Sai a seda e entra a poliamida. Idem para os cristais, substituídos por miçangas e pedrarias mais “em conta”. Com isso, diminui pela metade o preço final de seus disputados vestidos, sucesso entre clientes em busca de sensualidade explícita.

Referências egípcias retiradas de uma pintura encontrada em uma viagem a Londres respingam na cartela de cores, lavada e com leve efeito degradê em laranja, ouro e lavanda, além do preto, claro. O black and gold tão querido dos povos da Mesopotâmia pontuam a apresentação e a maquiagem. Pregas de saias masculinas usadas na civilizacão antiga repuxam a frente dos vestidos, enquanto os acessórios metalizados no pescoço, ao melhor estilo coleira, bebem na fonte dos adornos do deus Anubis, que era um cão.

As ombreiras e os peitorais maximalistas flutuam graças a camadas fininhas de tule. O melhor: podem ser removidos e acoplados ao seu looks diurno, com t-shirt e jeans, por exemplo. Boa sacada de Samuel, que faz fama acendendo a noite, mas não se esquece que suas sereias também cantam de dia.