Sarah Rutson - Foto: reprodução
Sarah Rutson – Foto: reprodução

Com madeixas loiras, silhueta alongada e esguia e looks recém-saídos da passarela, Sarah Rutson poderia ser apenas mais uma celebridade de street style.A verdade é que ela é muito mais do que isso. Vice-presidente Global de Compras do Net-a-Porter é uma das figuras mais influentes da indústria e, muito provável, do closet de inúmeras mulheres (pelo menos daquelas que já não vivem sem a comodidade de receber em casa o que há de mais relevante em cada estação). Como compradora, diz ela, “faço as escolhas pensando somente na consumidora, e não no meu estilo”.

Sarah Rutson - Foto: reprodução
Sarah Rutson – Foto: reprodução

Experiência ela tem de sobra.Trinta anos para ser mais preciso. Dez dos quais como diretora de moda da multimarcas de Hong Kong Lane Crowford – cargo que lhe consagrou como porta de entrada para muitas marcas de luxo e novos estilistas no mercado asiático. “Hoje, preciso garantir que todo o time de compras do Net-a-Porter, em todos os departamentos e regiões, tenha uma visão clara do que e de como movimentar os negócios e a própria moda – as histórias que devemos contar, as principais tendências da estação, além de garantir nosso foco em edição.”

Antecipando as coleções que começam a chegar nas araras (reais e virtuais), Bazaar conversou com a britânica para entender como o que você deseja é filtrado por mentes criativas e em sintonia máxima com nossos tempos.

Sarah Rutson - Foto: reprodução
Sarah Rutson – Foto: reprodução

Bazaar: Como você seleciona a compra a cada estação?
Sarah Rutson: Ao longo dos anos, assisti a muitos desfiles. Em alguns, não gostava do que via, mas quando entrava no showroom, encontrava uma coleção incrível. Em outros, amava as apresentações, mas, no showroom, a compra era bem difícil. Então, ver a coleção de perto é muito importante para mim. Depois disso, levamos em consideração o DNA da marca, a relevância da voz do estilista e ainda tentamos equilibrar tudo com o que nossas consumidoras desejam ou estarão abertas a experimentar – nosso trabalho também é introduzir novidades. Como é feito o equilíbrio entre as tendências e novidades e os desejos da consumidora? Nossa habilidade nas compras é sintonizada para entender as vontades das clientes de modo a impulsionar os negócios; para compreender as necessidades da marca e mantê-la fresca, excitante e em desenvolvimento; e captar o zeitgeist, saber o que vai acontecer e sair à frente.

Já faz mais de um ano que você está nesse cargo. No que ele se difere de suas experiências passadas, principalmente por se tratar de um e-commerce?
A única diferença entre o e-commerce e uma loja física é que você não entra literalmente dentro da loja. Contudo, trato nosso site como se fosse uma loja convencional. O Net-a-Porter também tem personal shoppers, que trabalham diretamente com a consumidora; conhecemos nossas clientes pessoalmente em eventos criados especialmente para elas. Então, ainda temos esse contato físico – e em todo o mundo. Somos realmente globais e compramos individualmente para os diferentes mercados: América Latina, América do Norte, Europa, Oriente Médio e Ásia. Para isso, você precisa conhecer e entender os consumidores e o que os motiva em cada região para a compra.

Estamos vendo uma mudança de atitude no modo como enxergam mulheres em posição de liderança. Como você acha que a moda responde a isso?
Sejamos francos, mulheres sempre compraram. Contudo, as mulheres estão mesmo levando uma vida profissional mais poderosa hoje. O sucesso do Net-a-Porter, nosso crescimento e o alcance global se resumem ao fato de que tornamos o ato de ir às compras mais agradável: com ofertas maiores, na hora que a consumidora quiser, com entrega rápida e fácil, onde ela precisar. Essa é a capacitação de luxo de hoje, e nada é mais atraente do que isso.