Kim Vs. Alexa. Quem ganha? Fotos: divulgação
Kim Vs. Alexa. Quem ganha? Fotos: divulgação

Por Luigi Torre

Decotes despudorados, comprimentos míni, fendas vertiginosas, recortes descarados e transparência (muita transparência). Sexy is back, ou você ainda não notou? Corpos à mostra e outras saliências dominaram as passarelas, invadiram os tapetes vermelhos e erotizaram a literatura e o cinema (assista Love, lançamento apimentado de Gaspar Noé), colocando sedução e sensualidade entre os trending topics. Pele (a das modelos) foi só o que se viu nas mais recentes temporadas de desfiles. No Festival de Cannes, maior termômetro dos desejos fashion, barrigas de fora, silhuetas ajustadas e aberturas estratégicas nas saias e costas esquentaram o red carpert da croisette. Na vida real, contudo, o assunto ainda levanta questões. O que é sexy? O que mostrar? Quanto mostrar? A cartilha dos bons costumes diz que bem pouco. Celebs e ícones de estilo dizem que o máximo possível, vide as aparições de Beyoncé, Kim Kardashian e Jennifer Lopez no último baile de gala do Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Ou então o já lendário vestido de malha de cristal usado por Rihanna em premiação do CFDA. O assunto ganhou novo fôlego há pouco, com Carolina Herrera deixando claro seu desgosto por tais vestidos de transparência máxima.“Estilistas pensam que é moderno estar nua ou quase nua. Eles pensam que vão atrair pessoas jovens com tais vestidos. Essas mulheres deviam ser ícones de moda e não estão usando nada”, disse em entrevista ao jornal The Washington Post. Na visão da estilista, a nova obsessão dos tapetes vermelhos entrega demais e deixa pouco à imaginação. Para ela, um quê de mistério é essencial no jogo da sedução. Acontece que, nesta estação, o objeto de desejo não é um vestidinho preto, uma bolsa statement ou um sapato de salto nas alturas: é o seu corpo. De preferência, esculpido pela mais recente febre fitness. E, depois de tanto esforço, que graça teria as tais curvas perfeitas se não pudessem ser devidamente mostradas?

Não custa lembrar que a moda vive de ciclos (e de opostos). O último foi bastante coberto, beirando o assexuado. Agora, o jogo se inverte e ganha ainda respaldo da cultura pop e suas divas curvilíneas. Febre que vem pegando até as maisons de luxo, como Balmain, Givenchy,Versace, Pucci e Cavalli, marcas que têm no corpo feminino com curvas acentuadas a base para suas criações. Mas há outra tendência: a do coberto cool. Na contramão, propondo looks que mais cobrem do que revelam o corpo, por questão de conforto e praticidade, aparecem a simplicidade deluxe da Céline, a alfaiataria relaxed de Stella McCartney e até a couture do século 21 da Dior por Raf Simons. Menos exposto? Sim. Menos sexy? Não necessariamente.

Quem está certo e quem está errado? Quem simboliza o novo e quem está preso ao passado? Difícil dizer. Impossível até. A definição de sexy está nos olhos de quem vê, no corpo de quem veste, no modo como se veste e para quem se veste. E é aí que a discussão pega fogo. Nos últimos anos, a moda vem flertando com conceitos e conquistas feministas. A tal liberdade de usar o que bem entender, de acordo com o seu gosto, bem como já propunha Leandra Medine em seu Man Repeller, blog que já virou livro e segue fazendo sucesso. Lá, ela advoga pelo direto de se usar calças palazzo, mom’s jeans, blusas de aspecto vintage e tudo mais que não é considerado atraente aos olhos masculinos mais tradicionais. Agora, com o corpo supervalorizado, não seria a vez de lutar pelo livre direito de expô-lo como bem entender? Afinal, a transparência é máxima, mas a cobertura também. Couture sexy versus pudico cool. Mas, ainda bem, com trabalhos dos mais minuciosos em ambos os lados.