Fotos: Getty Images

Por Sylvain Justum

Convenhamos que a missão de Hedi Slimane em sua estreia como diretor criativo do prêt-à-porter feminino da Saint Laurent Paris (ex-Yves St Laurent) era um tanto ingrata. Corresponder à expectativa exacerbada dos fashionistas, imprimir uma certa identidade e ainda agradar ao conglomerado PPR, que detém a marca, logo na primeira coleção, era uma baita responsabilidade. Dos males, o menor.

Em um Grand Palais abarrotado de colegas de profissão como Azzedine Alaïa, Alber Elbaz e Marc Jacobs, além de Pierre Bergé (Slimane dedicou a coleção de estreia ao ex-companheiro de St Laurent, por meio de dedicatória deixada em todas as cadeiras), Slimane pode não ter encantado, mas se saiu relativamente bem ao apostar em uma imagem gipsy-dark, meio western, familiar tanto a seu universo, quanto ao da marca.

Além de juntar códigos tradicionais da Maison – como a releitura da Saharienne em versão vestido longo ou os modelos vaporosos de alma latina – aos seus – alfaiataria afiada, rente ao corpo, com pitadas rocker –, Slimane lança mão de alguns truques espertos para dialogar com o momento glam 70’s da moda.

As jaquetas bordadas e o enorme casaco de pele rajado em preto e branco são bons exemplos, além de brilhos em paetês aqui e ali. O excesso de preto também é porto seguro, já que sempre foi a cor fetiche de ambos os lados. A escuridão só é aliviada no bloco final, no qual vermelho, azul e verde tingem novas versões dos longos fluidos que Yves tanto gostava e que pontuam toda a coleção. Acompanhemos. Clique nas imagens abaixo para ver looks selecionados do desfile, realizado nesta segunda-feira (01.10), na semana de moda de Paris: