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Slow fashion: conheça os acessórios da francesa Charlotte Chesnais

A designer já trabalhou com Nicolas Ghesquière na moda

by Cibele Maciet
Foto: Divulgação

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Quando criança, Charlotte Chesnais fazia colares de estanho para sua mãe, dava ideias de decoração para a casa da família e alimentava o sonho de sair de Sarthe, no interior da França, para se estabelecer em Paris.

Aos 17 anos, seguiu para a capital para estudar Administração, mas não demorou para que trocasse o curso pela paixão em trabalhar com moda. “Minha mãe era oftalmologista e meu pai, formado em Farmácia; os dois com pensamentos bem cartesianos. Mas entenderam rápido que eu era a ovelha negra da família em relação à minha irmã, que é médica obstetra”, diverte-se Charlotte. “Sempre fui sensível a tudo o que era ligado a design, arquitetura. Quem ama moda, normalmente, tem uma conexão com imagem, estética. Era meu caso.”

Depois de um curso de Moda no Studio Berçot, em Paris, foi um pulo para trabalhar com o designer Vincent Darré, depois na Ungaro e, na sequência, na Balenciaga da época de Nicolas Ghesquière, em 2006. Ele simpatizou com a jovem estilista de 20 anos e a chamou para desenhar, com ele, as coleções de prêt-à-porter da maison.

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Foto: Divulgação

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Após cinco anos juntos na moda, Nicolas teve a ideia de chamá-la para desenhar as bijoux de um de seus desfiles. “Descobri que era isso que eu tinha de fazer, foi como um presente”, relembra ela, que ficou mais quatro anos com Nicolas, até 2015.

Naquele mesmo ano, já em carreira solo, ganhou o prêmio Andam na categoria acessórios. “Foi uma época cheia de emoções: estava grávida, cheia de hormônios e a Colette, o Dover Street Market e o Bon Marché tinham comprado toda a minha primeira coleção.”

As inspirações para as peças vêm de linhas puras e fluidas, da geometria e do amor pela arquitetura. Ela aposta em anéis, braceletes e colares com formas dinâmicas em ouro e vermeil (prata revestida em ouro). Seu brinco Saturno, por exemplo, é um clássico da marca. “Procuro formas em conjunto com os ourives. Eles torcem, soldam, martelam, e eu experimento em casa, tiro fotos, brinco com meu fio de estanho. Meu objetivo é surpreender. Dou importância às formas, mas também como elas vão interagir com o corpo.”

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Três anos depois de abrir sua marca, Charlotte conta que é um desafio nadar contra a corrente e lançar duas coleções por ano num mundo cada vez mais imediatista, de see now, buy now, coleções-cápsula, cruise e pre-fall.

No entanto, prefere continuar respeitando o ritmo de sua criatividade e fazendo coleções de 20 peças com qualidade e atemporais. “Vendo em mais de 70 pontos de venda, é maravilhoso. Claro que quero expandir mais meu negócio e, quem sabe, até abrir uma loja própria um dia. Mas a qual preço?”, questiona ela, que mantém o mesmo compasso slow aos finais de semana pelos campos da Normandia, onde vai com o marido e os três filhos.

“Cozinho, vou à feira, leio livros, descanso. Tudo o que mais detesto é passar o final de semana em Paris fazendo compras. Fujo de tudo isso, gosto de desligar de tudo e de me conectar comigo e meus pequenos”, conta. É uma espécie de resgate da tranquilidade da infância, quando sonhava em conquistar Paris.

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