Vestido Reem Acra Couture; máscara e peça de ombro Idriss Guelai Atelier; brincos Lynn Ban; e arreios Zana Bayne - Foto: Terry Richardson/Harper's Bazaar
Vestido Reem Acra Couture; máscara e peça de ombro Idriss Guelai Atelier; brincos Lynn Ban; e arreios Zana Bayne – Foto: Terry Richardson/Harper’s Bazaar

Verdade ou desafio? Para a Harper’s Bazaar de dezembro de 2013, que está nas bancas, Madonna escreve sobre os desafios que teve ao longo da vida. Nosso site traz aqui um trechinho do que está na revista, e veja as incríveis fotos by Terry Richardson. Enjoy:

“Essa frase de efeito costuma ser associada a mim. Fiz um documentário com esse título, e, desde então, a expressão ficou grudada à minha imagem. É o nome de uma brincadeira (“Truth or dare?”), divertida se você estiver disposto a ousar – e eu quase sempre estou. As pessoas costumam escolher “verdade”, porque podem mentir sobre si mesmas e ninguém vai saber. Entretanto, quando você tem de arcar com as consequências da ousadia sugerida por alguém, é preciso encarar a situação. Para a maioria das pessoas, ousar é meio assustador. Para mim, porém, por alguma razão, a ousadia se transformou em uma raison d’être. Se não puder ousar no meu trabalho ou na minha maneira de viver, não vejo qual o objetivo de estar neste planeta.

Sutiã Giuseppe Zanotti Design; cueca Bordelle, arreios Zana Bayne para Prabal Gurung; tiara Jennifer Behr; peça de ombro e luvas Idriss Guelai Atelier; pulseira Robert Lee Morris; peça de mão e anel (dir.) Loree Rodkin; anel (esq.) Solange Azagury-Partridge; unhas H and H por Holly Silius e Hannah Warner; e botas Diego Dolcini - Foto: Terry Richardson/Harper's Bazaar
Sutiã Giuseppe Zanotti Design; cueca Bordelle, arreios Zana Bayne para Prabal Gurung; tiara Jennifer Behr; peça de ombro e luvas Idriss Guelai Atelier; pulseira Robert Lee Morris; peça de mão e anel (dir.) Loree Rodkin; anel (esq.) Solange Azagury-Partridge; unhas H and H por Holly Silius e Hannah Warner; e botas Diego Dolcini – Foto: Terry Richardson/Harper’s Bazaar

Talvez isso pareça radical demais. No entanto, passar a infância e a adolescência num subúrbio do meio-oeste americano foi suficiente para entender que o mundo se divide em duas categorias: a das pessoas que seguem o status quo e optam por segurança, e a das pessoas que jogam as convenções pela janela e bailam num ritmo diferente. Eu me atirei na segunda categoria, e logo descobri que ser rebelde e não seguir as regras faz a popularidade da gente cair. Você passa a ser visto como uma pessoa suspeita. Um encrenqueiro. Um perigo.

Aos 15 anos, essa situação pode ser um tanto desconfortável. Por um lado, os adolescentes querem ser iguais aos outros; por outro, querem se rebelar. Beber cerveja e fumar maconha no estacionamento da escola não era minha ideia de rebeldia, porque todo mundo já fazia isso – e eu nunca quis fazer o que todo mundo fazia. Achava mais legal não depilar as pernas ou as axilas. Afinal de contas, por que é que Deus botou cabelo nesses lugares? Recusei-me a usar maquiagem e comecei a amarrar uns lenços na cabeça, como se fosse uma camponesa russa. Eu fazia o contrário de tudo o que as outras meninas faziam. E desafiava as pessoas a gostar de mim e do meu jeito inconformado.

Vestido Lanvin; capa Yunus & Eliza com Rob Goodwin; anéis Dominic Jones; luvas Gaspar Gloves por Dorothy Gaspar; pulseira (esq.) Robert Lee Morris; pulseira (dir.) Givenchy por Riccardo Tisci; meias Danskin; e sapatos Richard Braqo - Foto: Terry Richardson/Harper's Bazaar
Vestido Lanvin; capa Yunus & Eliza com Rob Goodwin; anéis Dominic Jones; luvas Gaspar Gloves por Dorothy Gaspar; pulseira (esq.) Robert Lee Morris; pulseira (dir.) Givenchy por Riccardo Tisci; meias Danskin; e sapatos Richard Braqo – Foto: Terry Richardson/Harper’s Bazaar

Mas essa estratégia não funcionou muito bem. As pessoas me achavam estranha. Eu não tinha muitos amigos; talvez não tivesse nenhum. Mas tudo acabou dando certo: quando você não é popular, nem tem vida social, tem mais tempo para se concentrar no futuro. Para mim, isso significava ir para Nova York, poder me expressar numa cidade de gente não-conformista e viver cercada de gente ousada.

Nova York, no entanto, não era tudo o que eu esperava: não me recebeu de braços abertos. No primeiro ano por lá, me atacaram à mão armada. Fui arrastada para o último andar de um prédio por um cara que encostou uma faca nas minhas costas e me estuprou. Meu apartamento foi arrombado três vezes, e nem sei por quê: não sobrou nada de valioso depois que meu aparelho de som foi roubado no primeiro arrombamento.”

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