Lizzy Bowring, diretora de passarela do WGSN - Foto: reprodução
Lizzy Bowring, diretora de passarela do WGSN – Foto: reprodução

Pela segunda vez consecutiva, Lizzy Bowring, diretora de passarela do WGSN, esteve em São Paulo para acompanhar mais uma temporada do SPFW. Em conversa com a Bazaar, ela falou sobre seu papel na análise dos desfiles, as principais diferenças deste inverno 2016 e sua visão da moda brasileira. Dá uma olhada:

Harper’s Bazaar: Qual o papel do WGSN na moda?

Lizzy Bowring: Nosso papel é analisar os desfiles das temporadas de moda para poder extrair deles novas tendências. Levamos em média, seis semanas para criar um  report, que enviamos aos nossos clientes. Neles,criamos classificações, como “novo romântico” ou “maximalismo”. É um ritmo muito intenso.

HB: É sua segunda vez no SPFW. O que achou do evento?

LB: Eu gosto muito. Acho que, nesta edição especificamente, o evento está menos intimista. Dá para sentir a emoção e o quanto os designers gostam do que estão apresentando ao público. Nesta temporada, tive a sorte de conhecer os backstages e ver a peça de perto, tocar e ver como são os tecidos. É diferente você ver uma produção na passarela e ter a oportunidade de vê-la de perto, de analisar as amostras de tecidos.

HB: O que você achou das coleções?

LB: Na temporada passada, pude observar algumas similaridades com os designers estrangeiros. Neste inverno 2016, acho que isso diminuiu. Consegui ver alguns detalhes que apareceram nas temporadas internacionais, como os sapatos com detalhes trançados. Mas o modo como são executados é diferente, o que torna a moda brasileira autêntica. Gosto de como a moda do Brasil é feita, com uma execução rica em detalhes.

HB: Você acredita que, com toda a globalização, ainda seja possível um país ter uma identidade nacional na moda?

LB: Sim. Veja bem, minha mala se perdeu no caminho para cá, então tive que buscar roupas brasileiras para mim. Não conseguia achar nada, não por que eu não gostasse, mas senti que não era meu perfil. As roupas brasileiras são muito sensuais [risos].

HB: Qual a diferença entre a analise que você faz sobre um desfile e aquela feita pelos jornalistas? O que você percebe que talvez ele não perceba?

LB: O jornalista assiste ao cenário geral do desfile para reportar aos seus leitores, imediatamente, o significado apresentado pela marca, mas pelo seu ponto de vista. Ele tem sua linguagem própria, a linguagem que seus leitores estão acostumados. Eu tento analisar de maneira fria, não que eu não faça com paixão [risos]. Mas procuro saber da história, qual a narrativa por trás do designer, deixando de lado minha opinião e fazendo uma análise de negócios. Tenho que procurar quais elementos da coleção são comerciais, e quais são as suas variáveis. Um jornalista irá escrever sobre a coleção e opinar sobre ela e eu irei analisar as raízes das escolhas dos estilistas e entender suas variáveis comerciais. Deste modo, nossos clientes (que incluem as editoras das revistas) entendem o que está acontecendo no cenário da moda. O jornalista reporta a coleção e nós a informamos.

HB: Como você faz para guardar os detalhes das coleções? Usa o celular? Anota em um caderno?

LB: Guardo tudo na memória, sem uma única anotação. Quando volto a noite para minha casa ou o hotel, anoto tudo o que vi durante o dia. Também não costumo fazer listas, nem em meus assuntos pessoais. Tenho uma organização mental que me ajuda, faço isso há anos.