Por Luigi Torre

Amir Slama
Ele é um dos veteranos das passarelas brasileiras, porém sua marca homônima nunca se apresentou sobre elas. Amir Slama, o responsável por dar vida e fama a Rosa Chá (ele lançou a etiqueta em 1993, a vendeu para o grupo Marisol em 2006, e se desligou dela por completo em 2009), retorna ao SPFW com a grife de beachwear que leva seu nome.“Eu e Paulo [Borges] já falávamos sobre isso há algum tempo”, entrega. Mas o que o fez retomar os desfiles foi justamente as discussões em torno das novas demandas do calendário de moda. “Sempre acreditei que o formato tinha de mudar. Hoje a informação é muito rápida e isso implica um novo comportamento do consumidor.” Amir ainda fala das dificuldades do mercado interno, que pede que as marcas mostrem e façam mais – aqui e no exterior.“O retorno ao SPFW também indica um outro momento da minha carreira”, diz ele, sobre os quase 25 anos na moda. Um dos pioneiros em refinar a moda praia para muito além das areias, Amir promete chegar ao evento com o mesmo ponto de vista, porém com foco maior “no que é possível. O consumidor já mudou muito, já aceita melhor algumas modelagens, mas é cada vez mais necessário ficar atento ao que de fato é usável.” E na coleção, um mix de Carmen Miranda e Brigitte Bardot deve esquentar o calendário de moda nacional.

Cotton Project - Foto: divulgação
Cotton Project – Foto: divulgação

Cotton Project
A marca começou em 2006 como um projeto pessoal de Rafael Varandas, que criava roupas para os amigos. “Foi só em 2012 que apresentamos nossa primeira coleção propriamente dita”, diz ele, sobre como a Cotton Project começou a chamar a atenção de grandes players do mercado. Entre eles, Paulo Borges, que deixou abertas as portas de seu evento. O momento, contudo, não era ideal para as passarelas. Aprimorar a imagem e afirmar sua filosofia de design e estilo de vida era mais urgente.“Aos poucos, fomos vendo a entrada de marcas de lifestyle na fashion week e sentimos que era a hora certa.”A estreia acontece uma temporada após o primeiro desfile, na Casa de Criadores. “Nossas coleções são muito baseadas naquilo que o consumidor quer comprar.”

Originalmente masculina, a linha feminina foi criada em 2015 depois que elas se tornaram compradoras fiéis. Para o SPFW, a grife promete algumas parcerias com marcas de outros segmentos, como o de beachwear, e diz que seguirá fiel a sua identidade.“Não queremos reinventar a roda. Nossa visão e questionamento seguem os mesmos: como ser uma marca de street brasileira ao mesmo tempo global e sem estereótipos.”

A.Brand
“Já são sete anos de marca, e, depois desse amadurecimento, sentimos necessidade de ter mais visibilidade”, diz Ana Claudia Dias, diretora de criação da A.Brand.A marca, pertencente ao grupo Soma (dono também da Animale, Farm, Fábula, Foxton e FYI), reforça a importância da visão de moda que dá pesos iguais à criação e à demanda do mercado.“Foi uma honra ter sido convidado para o SPFW. O evento foi fundamental para a Animale e temos certeza de que impulsionará a A.Brand da mesma forma”, afirma Roberto Jatahy, presidente do grupo. E Ana Claudia faz coro: “Acho muito importante participar, a marca vai ganhar visibilidade e crescer.” Conhecida por sua estamparia leve e cheia de energia, a A.Brand promete novidades para o verão 2017. “Algumas estampas e modelos vão ganhar ar mais dramático, o que acho ótimo”, finaliza Ana Claudia sobre a coleção que se diz inspirada por um eterno verão, num paraíso tropical.

Vix
A história da Vix vai um pouco na contramão do que se tem por convencional no mercado de moda do País: lançada há 13 anos, a marca estourou primeiro internacionalmente para, só então, encontrar lugar cativo no closet de praia das brasileiras.“Agora, sentimos que é o momento certo de apresentar a coleção de verão 2017 no SPFW e também uma ótima oportunidade para as pessoas conhecerem melhor o nosso trabalho”, diz a capixaba Paula Hermanny.As negociaçães, diz ela, começaram apenas no início do ano, mas caminharam a passos largos – e certeiros.“Vamos estrear com uma apresentação fora da Bienal e bem focada na imprensa, principais clientes e alguns poucos convidados.” É que a empresária é forte apoiadora das mudanças em curso nas datas das semanas de moda.“A Vix sempre acreditou neste novo movimento de mostrar só o que você vê nas lojas. Somos uma marca extremamente focada no produto e na qualidade, para deixar a mulher ainda mais bonita”, diz. A inspiração parao verão 2017 veio quando Paula e Juliana Leal, diretora criativa, estavam de férias no Sudeste Asiático. A coleção traz ampla mistura de estampas, cores quentes, tecidos indianos e outros mais leves, como o algodão com seda. Entre os destaques, a dupla ressalta as peças com comprimentos irregulares, o uso de metais, cordas e amarraçães nos biquínis.