Inverno 2015 da Off-White - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Inverno 2015 da Off-White – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Luigi Torre

Enquanto as grandes marcas de luxo investem pesado para criar um lifestyle em torno de seus nomes, as americanas Hood By Air e Off-White, ao lado da italiana County of Milan, têm conseguido o mesmo espontaneamente, ao se apropriar e levar para as ruas o que antes era exclusivo da alta moda. Essas novas labels atendem do underground ao mainstream, derrubando, definitivamente, as barreiras que antes os dividiam.

São os primeiros sintomas das mudanças geracionais da internet na moda. A maneira como criam e se relacionam com seus consumidores é a materialização dos espaços sociais virtuais. Os produtos são frutos das sobreposições de informações e imagens de um feed de notícia no Facebook, Instagram ou Tumblr.

Trata-se de uma combinação natural de estilos e culturas por meio das roupas, da imagem construída com elas e da comunidade que se cria com quem as veste. Agora também em versão deluxe. É a inversão do modus operandi que fez com que, em 1968, Yves Saint Laurent chocasse a indústria da moda ao colocar na passarela o que via nas ruas de Paris, então em plena ebulição social. Ou do que levou Marc Jacobs a fazer uma coleção grunge, em 1993, quando o movimento ainda começava a ganhar força.

Entrada final do desfile de inverno 2015 da Hood by Air - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Entrada final do desfile de inverno 2015 da Hood by Air – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Olhando para a cultura do skate, Shayne Oliver começou sua Hood By Air desenhando camisetas com as referências da cena gay dos ballrooms, o estilo clubber das festas em que tocava, em 2006. As peças, de construções elaboradas e tecidos sofisticados, resultaram no fenômeno cool que a etiqueta se tornou em 2013. Atualmente disputada ferrenhamente entre multimarcas como Dover Street Market e Opening Ceremony, se prepara para fazer seu début na semana de moda de Paris.

County of Milan, que começou como uma marca de camiseta e se transformou na melhor tradução de “vender estilo de vida” - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
County of Milan, que começou como uma marca de camiseta e se transformou na melhor tradução de “vender estilo de vida” – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Marcelo Burlon também criou sua County of Milan, no final de 2102, fazendo camisetas para o grupo de jovens que o acompanhava em festas pelo mundo. Hoje, com ofertas para um guarda-roupa completo, a marca rende € 9 milhões por ano. O sucesso não se deve apenas ao produto de qualidade, mas, principalmente, ao modo como se conecta com seus consumidores, numa espécie de coletivo criativo.

Virgil Abloh até chegou a colaborar com usuários do Instagram em coleções de sua Off-White (criada em 2013), marca que oferece a atitude cool das roupas surradas de skate, com refinamento made in Italy.

Prova de que as redes sociais exercem papel fundamental na tendência, potencializam as sensações de pertencimento e compartilhamento. O produto final, então, extrapola a moda, conecta-se com outras searas culturais e criativas e reflete, da maneira mais real e urgente, as demandas da vida urbana.

Assine a Harper’s Bazaar