Fotos de personagens aleatórios, fora das semanas de moda, publicadas no blog Urban Field Notes, do fotógrafo Brent Luvaas - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Fotos de personagens aleatórios, fora das semanas de moda, publicadas no blog Urban Field Notes, do fotógrafo Brent Luvaas – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Por Juliana Lopes e Luigi Torre

É das regras mais sagradas da moda: toda tendência acaba em excesso. Olhe para a fotografia de street style e fica fácil entender que o fenômeno já excedeu todos os seus limites. Engana-se, porém, quem acredita que o exercício está perto do fim.

Uma nova leva de profissionais, como o franco-americano David Luraschi e o norte-americano Brent Luvaas, garante sobrevida à prática, ao voltar suas lentes para longe das semanas de moda e recuperar sua essência.

Os personagens sempre fotografados de costas por David Luraschi - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Os personagens sempre fotografados de costas por David Luraschi – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

“É a síndrome barroca do nosso tempo”, declara Luraschi em entrevista à Bazaar. O desgaste, ao qual se refere, já vinha sendo sentido no decorrer das fashion weeks. Em 2012, ganhou voz, quando a jornalista Suzy Menkes publicou, no International Herald Tribune, texto proclamando a proliferação de fotógrafos e fashionistas desesperados por um clique, como “circo da moda”.

Tempos depois, a blogueira Garance Doré reconheceu que o que fotografava não era street style, mas, sim, fashion week style. No lugar de personagens inspiradores, hoje temos posers profissionais, posicionados estrategicamente em torno das entradas dos desfiles. Some o interesse e a intervenção de marcas em busca de publicidade, e a falta de autenticidade atinge grau máximo. Se observarmos a origem desse movimento, que se baseia na prática do cool hunting e do fotojornalismo, é chocante sua perda de originalidade.

Mais fotos de Brent Luvaas - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Mais fotos de Brent Luvaas – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

Olhando o trabalho de Luraschi (instagram.com/davidluraschi) entendemos que a roupa segue importante, mas num contexto natural. “Nunca quis fazer um trabalho de moda, até me surpreende o repentino interesse dessa indústria nas minhas fotos”, conta. “Quando clico minhas imagens, estou mais preocupado com atitudes e personalidades. Às vezes, é uma cor ou linguagem corporal. Gosto de quando alguém se relaciona com o ambiente. São narrativas.” É nesse contexto que ele e outros fotógrafos começam a resgatar a essência do street style.

Buscando a máxima naturalidade, David sempre fotografa seus personagens de costas. Evita, assim, poses ou que a ciência da câmera ofusque a espontaneidade. “Nós sempre usamos roupas para sermos notados, então não há nada de novo em um editor posar para as câmeras. O que muda é que estamos mais conscientes das câmeras em nossas vidas”, opina Brent Luvaas, professor assistente de Antropologia na Filadélfia e outro expoente dessa nova safra com seu blog, urbanfieldnotes.com.

Outro clique de David Luraschi - Foto: reprodução/Harper's Bazaar
Outro clique de David Luraschi – Foto: reprodução/Harper’s Bazaar

“A maioria das fotos de street style é feita nas semanas de moda e, geralmente, das mesmas pessoas. Então, fotografar pessoas comuns, num dia qualquer, já é um diferencial. Gosto de fotografar pessoas que têm uma personalidade cool, única, tão forte que não são influenciadas pelos outros, muito menos pelas lentes. Porque o que importa é que as imagens sejam mais do que pessoas posando em lugares legais.”