Foto: Reprodução/Harper's Bazaar
Foto: Reprodução/Harper’s Bazaar

por Sylvain Justum

Ela veio chegando de mansinho, na esteira da estética sessentinha que baixou sobre a moda nas recentes estações, até fincar franjas, fluidez, calças flare e padronagens quase kitsch no imaginário fashion. A década de 1970 é o mais recente universo a ser adotado como referência pelas principais grifes do planeta. Boho, disco ou glam rock, todas as facetas são permitidas. Karl Lagerfeld até disfarçou de western a sua homenagem, apresentada no badalado desfile de pre-fall 2014 da Chanel, em Dallas, mas o que saltou aos olhos, mesmo, foram os vestidos longos, as franjas em profusão e o jeans delavê – aguarde, ele vai reinar daqui para frente –, que deu forma a macacões e vestidos tomara-que-caia e, inclusive, ao célebre tailleur da grife. A temporada de pre-fall, aliás, rendeu vasto repertório para quem pretende aderir à ideia tanto de dia quanto à noite.

No horário comercial ou no fim de semana, vestidos pelos joelhos, de saia plissada e mangas longas – de preferência com punhos bufantes – vistos nas coleções de Burberry, Donna Karan e Chloé são escolha prática e muito feminina. Nos pés, pode optar: sandálias finas ou ankle boots completam bem a delicadeza toda, que deve ser realçada por uma cartela lavada. Ao mesmo tempo, tons terrosos, animal prints e o brilho do lamê, que já acendia looks desde o verão passado, não poderiam estar mais up to date. Roberto Cavalli, rei da oncinha, e Bottega Veneta, adepta da elegância pura e simples, de brilhos discretos, alongaram vestidos para momentos de festa, cheios de glamour. Jerry Hall aprovaria. A beleza e os complementos, no entanto, seguem na contramão do exagero que a década sugeria. Cabelo preso, pouca ou nenhuma joia atualizam a produção e evitam a armadilha literal.

Claro que não poderiam faltar as calças, muitas delas. Patte d’ef, boca-de-sino, boot cut, flare… chame como preferir, mas a barra da hora é longa e evasê. Base para túnicas, ponchos e tricôs de gola rulê, a peça pode vir lisa ou estampada de geometrias nada discretas, meio papel de parede. Enquanto a Emanuel Ungaro escolheu o chevron para a sua versão, a Missoni, ícone do ziguezague, prefere pétalas caleidoscópicas. Para um efeito setentista autêntico, misture com outras estampas e texturas na parte de cima. Se a sua personalidade for mais tímida, um simples lenço amarrado na cabeça, com um belo par de óculos escuros – foi nos anos 1970 que eles viraram acessório fashionista de vez –, resolve. Está aí a Valentino que não me deixa mentir. A febre está só começando.

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