Coleção de Manu Gavassi para a C&A – Foto: Divulgação

Por Beatriz Oliveira

Estampa característica do movimento hippie, o tie-dye, que se popularizou nos anos de 1960 e 1970, voltou a fazer sucesso quase que unânime neste período de quarentena. Basta você acompanhar alguma fashionista, influenciadora ou até mesmo uma amiga mais antenada para perceber que o tie-dye está em todos os cantos, e não só nas roupas.

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De fato, a técnica de customização nunca deixou de ser usada, até mesmo grandes nomes da moda já apresentaram peças com características tie-dye nos últimos anos, principalmente nas coleções de verão. Mas, com o isolamento social e a onda do “faça você mesmo”, a customização tie-dye se tornou uma opção divertida para explorar a criatividade e produzir peças únicas.

Muitas vezes, ao pensar no tie-dye temos aquela imagem das t-shirts totalmente coloridas, com cores vibrantes. Entretanto, a estampa vem se mostrando uma tendência bastante democrática, com versões mais discretas para agradar a todos os gostos.

A origem da estampa tie-dye

Embora o termo tie-dye tenha se popularizado na década de 70 com o movimento hippie norte-americano, a técnica de tingimento de tecido é milenar em alguns países asiáticos e no continente africano. Registros revelam que entre os séculos 6 e 7 o método de amarrar e tingir foi desenvolvido, a fim de incorporar uma combinação de cores aos tecidos.

Os japoneses chamavam a técnica de “shibori”. Já na Índia o nome usado era “bandhani”. Todos com as características semelhantes ao tie-dye, também encontradas em alguns países da África. É interessante destacar que cada localidade apresentava a técnica de maneira única, com formas particulares de amarrar o tecido e com diferentes pigmentos utilizados.

Anos 70

Já o termo tie-dye como conhecemos, que em tradução literal do inglês significa, “amarrar e tingir” foi incorporado a técnica somente nas décadas de 1960 e 1970. Quando se popularizou no ocidente, principalmente nos Estados Unidos, com a comunidade hippie que adotou a estampa como uma das formas de identidade.

A estampa irregular, e na época predominantemente artesanal, tornou-se símbolo de liberdade e das revoluções sociais, representando o contexto cultural, e hoje nos mostra como a moda também é política. Além disso, o tie-dye ficou associado ao movimento psicodélico, com o ápice do uso de drogas naturais e sintéticas no período.

Nos festivais hippies era possível encontrar a estampa colorida em todas as peças: camisetas, calças, bolsas, cangas e até acessórios. Ao conquistar o gosto de cantores do movimento de contracultura, como John Sebastian, Janis Joplin e Joe Cocker o tie-dye passou a ter influência em outros países.

Anos 90

Por muito tempo a técnica tie-dye ficou associada exclusivamente ao movimento hippie. E somente nos anos 1990 foi absorvida pela indústria da moda, quando retornou para as ruas com a influência dos Clubbers, termo destinado as pessoas que costumavam frequentar danceterias famosas na época. A extravagância do tie-dye, com muitas cores em uma única peça, tinha tudo a ver com o estilo de vida desse grupo que resgatou a estampa.

A moda e a história do movimento hippie

Como vimos, o movimento hippie foi o principal propulsor da estampa tie-dye pelo mundo, e o contexto da época pode nos revelar um pouco sobre o retorno massivo da técnica de tingimento.

Nos anos 60 aos 70 a Guerra do Vietnã assombrou os jovens norte americanos que não viam saída para o conflito, então rapidamente os discursos de “paz e amor” e “make love, not war”, em tradução para o português “faça amor, não faça guerra”, se popularizaram.

Com esse cenário, o movimento de contracultura se coloca aberto as possibilidades criativas, a liberdade sexual e de expressão. Dessa forma, podemos enxergar a volta do tie-day também como uma forma de expressar a criatividade, nesse momento em que estamos reprimindo diversos hábitos devido ao isolamento.

Além do tie-dye é possível identificar outros elementos da moda que são predominantes entre os hippies. Como o uso de calças flare com lavagem desbotada, pantalonas, blusas largas ou batas, os vestidos longos, as estampas florais, acessórios artesanais, e os famosos óculos redondos. Tudo com repaginações mais modernas, acompanhando outras influências.

A tendência tie-dye na quarentena

Alguns aspectos revelam a volta do tie-dye com força total, seja os comportamentos restringidos, o movimento “faça você mesmo”, ou até mesmo o tédio e reflexões da quarentena que nos levam a ressignificar muitas coisas, até mesmo as roupas.

Aqui também podemos destacar o maior interesse por produtos personalizados e exclusivos, e como a experiência de tingir a sua própria roupa, ou ter uma peça customizada por um artista, agrega valor a mesma.

Além disso, temos o elemento de ligação do tie-dye com a alegria e leveza do movimento hippie, sentimentos que são procurados em momentos de incertezas como esse de pandemia. Talvez esses sejam alguns dos motivos para o tie-dye virar tendência novamente, seja nas roupas, acessórios, unhas, maquiagens e até itens de decoração.

A técnica tie-dye e como fazer em casa

A técnica do tie-dye basicamente tem como objetivo criar estampas únicas e aleatórias, e tudo depende da amarração feita. Aqui é importante lembrar que não há regra, e o resultado nunca vai ser o mesmo, e por isso também não existe um jeito certo e único de fazer o tie-dye.
São três etapas básicas:

Amarrar

Essa é a parte de preparar o tecido, e basicamente consiste em amarrar a peça com barbantes, cordas, elásticos ou até mesmos nós – opte por tecidos claros. Dessa forma, limitamos as partes que não devem ser coloridas com a tinta, são diversas possibilidades de formatos.

Tingir

A segunda etapa é a mais criativa, aqui é só escolher as cores, umedecer a peça previamente e tingir partes aleatórias entre as amarrações. O método mais prático é diluir corantes para tecidos em água fervente e borrifar com ajuda de bisnagas. Não existe regras para a quantidade de cores!

Lavar

Por fim, é só esperar a peça secar e lavar. Uma possibilidade é lavar antes de secar totalmente, cortando o efeito da tinta para conseguir uma cor mais suave. As primeiras lavagens devem ser feitas individualmente para não correr o risco de manchar outras peças.

Algumas referências para você se inspirar:

Thássia Naves – Foto: Reprodução/Instagram/@thassianaves
Preta Gil – Foto: Reprodução/Instagram/@pretagil
Hailey Bieber – Foto: Reprodução/Instagram/@haileybieber
Camila Coutinho – Foto: Reprodução/Instagram/@camilacoutinho