Três marcas de moda que dão novo sentido ao consumo e à produção

De joias à reciclagem do look de casamento, veja as dicas da Bazaar

by redação bazaar
Denise Valadares - Foto: Agência Fotosite

Denise Valadares – Foto: Agência Fotosite

Por Najela Bruck

“É preciso fazer moda a favor das pessoas e do planeta. Não vai ter espaço para marcas sem essa consciência”. A frase dita pelo publicitário, jornalista e diretor criativo da marca Ahlma, André Carvalhal, em seu livro “Moda com Propósito: Manifesto pela Grande Virada” – endossa os ideais de muitas empresas que vêm trilhando caminhos no mercado fashion.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Nascidas nesse contexto, no qual os tradicionais processos de produção e de estímulo ao consumo vêm sendo restabelecidos, as jovens marcas dialogam diretamente com a geração Z que, cada vez mais, ganha voz e espaço, e também com os millennials, representantes do poder de compra da atualidade. Os dois grupos carregam em suas essências consciência política, econômica e socioambiental. Por isso, fazer moda para eles não é apenas oferecer um produto da tendência, mas também um manifesto em apoio ao futuro sustentável.

Das grandes redes varejistas, que estão se empenhando para oferecer um fast fashion mais ecofriendly, aos pequenos e médios empreendedores, a moda vive transformações que irão reverberar em um mercado mais consciente. Descubra abaixo três grifes nacionais que trabalham um novo sentido para o consumo e a produção:

Joias eternas e sustentáveis

Joia de Amanda de Nardi - Foto: Frank Bitencourt

Joia de Amanda De Nardi – Foto: Frank Bitencourt

“O que conta não são os quilates, mas o efeito”, a frase de Coco Chanel parece traduzir a proposta da joalheria contemporânea, que vem, cada vez mais, investindo em ações e produções de cunho socioambiental.

Em pouco mais de um ano de mercado, a trajetória de Amanda De Nardi na joalheria se iniciou com o desejo de sua idealizadora em preencher a vida com uma beleza pautada em significados e valores. “Venho da administração, entretanto, sempre senti um chamado para trabalhar com algo que me desafiasse e me aproximasse da arte. Encontrei na ourivesaria e no designer um amor completo”, revela Amanda.

Para pavimentar seu caminho, a designer buscou na evolução tecnológica e na poesia as inspirações necessárias. Atualmente, já em sua quinta coleção, a maturidade da etiqueta é revelada não somente no acabamento de suas peças, mas também em sua concepção. A marca é a primeira no segmento nacional a utilizar diamante sintético. “Somos pioneiros na utilização de gemas produzidas em laboratório. Estamos fazendo parte de um avanço tecnológico da indústria joalheira”, destaca Amanda.

As pedras crescidas em laboratório possuem as mesmas propriedades físicas e ópticas de um diamante natural, mas sem o impacto ambiental causado na extração da matéria-prima por meio da mineração. “O diamante lab grown vem atraindo cada vez mais a atenção, pois, além de ser esteticamente parecido com o minerado, ele é mais acessível financeiramente e, também, considerado ‘amigo’ da natureza”, avalia a designer.

As gigantes do setor têm se atentado ao poder crescente da pedra lab grown e investido no assunto. É o caso da De Beers que, em 2018, criou a Lightbox Jewerly, marca jovem, focada nos millennials e geração Z, que elabora todo o seu portfólio de joias em diamante sintético.

Coleções reinventadas

Denise Valadares - Foto: Agência Fotosite

Denise Valadares – Foto: Agência Fotosite

“Sou contra a moda que não dure. (…). Não consigo imaginar que se jogue uma roupa fora, só porque é primavera”. Chanel, mais uma vez, nos mostra que, mais importante que seguir tendências, é criar uma moda perene. Em um cenário atual, no qual se estima que 80 bilhões de roupas são compradas anualmente, conforme revelado em estudo publicado pela revista “Environmental Health”, em dezembro de 2018, é de grande importância reavaliar a quantidade de produção. Foi a partir desse questionamento que a estilista Denise Valadares resolveu dar vida nova a algumas peças de suas coleções passadas.

O bordado handmade é o DNA do trabalho realizado por Denise, de 29 anos. Com cinco anos de mercado, a etiqueta, que carrega o nome de sua idealizadora, começou dando vida e brilho a moletons. Com a boa aceitação do público, ela seguiu investindo em suas coleções. Evoluiu para a alfaiataria, com cortes e shapes mais elaborados. Coleções mais tarde e com mais experiência na bagagem, dentre elas três desfiles na semana de moda mineira, o Minas Trend, Denise Valadares optou por reavaliar seus caminhos e apostar no upcycling.

“Vivemos em um mundo extremamente consumista. Sabemos que a cada coleção devemos trazer uma inovação, algo que atraia os olhos do público consumidor. Entretanto, não podemos nos esquecer que o mundo não irá suportar receber tantas peças novas a cada ano. Por isso, precisamos reinventar o que já foi feito. Não é mais aceitável que uma roupa dure somente uma coleção”, reflete a estilista.

Em seu recente desfile, realizado no Minas Trend, em outubro deste ano, Denise levou para a passarela três looks de sua coleção anterior (verão 2020) repaginados com propostas para o inverno 2020. Uma calça jeans, um vestido de moletom e uma jaqueta de couro foram customizadas com novos bordados e algumas adaptações na modelagem.

A partir de agora, a marca pretende, com frequência, realizar eventos em que as consumidoras possam levar suas peças e customizá-las. “Queremos proporcionar às mulheres a oportunidade de reformular seu guarda-roupa sem precisar adquirir coisas novas. É possível transformar o que já temos em nosso closet em algo incrível e atemporal”, afirma a estilista.

Para além do “sim”

Look de Ana França - Foto: Isabela e Flávia Fotografia

Look de Ana França – Foto: Isabela e Flávia Fotografia

“Gosto quando as coisas são modernas, mas ainda com um toque de tradição.” A frase de Alexander McQueen vai ao encontro da proposta do ateliê Ana França. Especializada em vestidos de noiva, a empresa leva ao mercado um respiro fresh e moderno para as mulheres que pretendem fazer diferente.

Produzindo vestidos de noiva que fogem ao estilo tradicional, Ana França investe em shapes mais leves e tecidos tecnológicos, que se adaptam à todos os biotipos. “Nosso processo de desconstrução da noiva tradicional é pautado, principalmente, pela liberdade, tanto de movimentos, quanto de estilo. Não ficamos presos às grades de numeração nem seguimos rigorosamente uma tendência. Os materiais utilizados nos permitem vestir todos os manequins”, destaca a designer que dá nome à etiqueta.

O grande diferencial de França, entretanto, está na vida útil de suas criações. Todas elas são produzidas com um objetivo claro: ser facilmente utilizadas após o ‘grande dia’. “Criamos propostas atemporais que poderão ser aproveitadas em diversos momentos após o casamento. Os bodies podem ser combinados com pantalonas, shorts e calças. As saias também podem ser customizadas, seja no comprimento e até mesmo na cor, após um processo de tingimento. Não crio roupa para ser usada somente uma vez e depois ficar encostada no armário. Meu objetivo é oferecer um produto que transcenda a cerimônia de casamento”, finaliza a estilista.

Leia mais:
Monique Argalji apresenta segunda coleção da grife Argalji
Matri aposta em coleção em palha de seda
Imersão na Amazônia inspira a coleção “Origem” de Regina Dabdab