Três marcas para ficar de olho na semana de moda masculina de Milão
Tokyo James – Foto: Divulgação

Nesta sexta-feira (15.01), a Ermenegildo Zegna deu início à semana de moda masculina de Milão, que, seguindo as recomendações de segurança na luta contra a COVID-19, dá destaque a apresentações digitais. Com grandes nomes como Gucci, VersaceBottega Veneta fora do calendário oficial, os olhos dos amantes de moda se voltam para marcas iniciantes, com filosofias e estéticas interessantes.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Selecionamos três nomes (Tokyo James, Lagos Space Programme e Solid Homme) para ficar de olho ao longo das apresentações. Veja:

Tokyo James

Foto: Divulgação

Há quatro anos, Iniye Tokyo James, designer nigeriano-britânico, criou a Tokyo James com o objetivo de estreitar as distâncias entre os dois continentes através da união da alfaiataria londrina com técnicas têxteis tradicionais africanas. A história de James se destaca por não seguir um padrão convencional: o designer iniciou seu trabalho como stylist de clipes e revistas enquanto cursava faculdade de matemática em Londres.

A estética da marca é marcada pela dualidade de suas raízes, que combinam a silhuetas desconstruídas feitas com tecidos ousados a um sensível streetwear. Operando entre Londres e Lagos, na Nigéria, a marca, que se apresentava na semana de moda de Londres, faz sua estreia neste domingo (17.01) em Milão com a coleção de inverno 2021.

A marca optou por revelar a coleção através de um vídeo, que faz referência à herança Iorubá do designer. Para James, está é uma excelente oportunidade e uma chance de apresentar a marca a um novo conjunto de pessoas, editores, stylists e compradores.

A nova coleção da marca se chama “Ogidi Okunrin” (“o homem forte”, em português), e tem como inspiração as imagens do fotógrafo Malick Sidibé dos anos 1960 e sua forma de revisitar a estética tradicional do dândi britânico. O resultado são peças com recortes, cores vivas e diferentes texturas criadas a partir do uso de paetê, couro, relevos feitos em náilon e malhas finas, além de detalhes com correntes e ferragens.

Um dos destaques do inverno 2021 da Tokyo James é o uso de ráfia, que foi fabricada por um grupo de artesãos da Nigéria. O tecido foi usado para criar ternos e biker jackets estruturados. A marca também apresenta a bolsa Ata Rodo, que tem o formayto inspirado na pimenta scotch bonnet, alimento básico em algumas culturas africanas.

Lagos Space Programme

Foto: Divulgação

Em 2018, Adeju Thompson, designer não-binário que nasceu na Nigéria, criou a marca Lagos Space Programme. “Era importante contar uma história alternativa da Nigéria e da África a partir de uma perspectiva vulnerável, criar roupas baseadas nas intersecções das experiências que vivi – como designer queer, Iorubá e negro. Quebrando mitos em torno do design africano”, disse em entrevista ao site WWD.

Nesta sexta-feira (15.01), a marca apresentou digitalmente sua coleção de inverno 2021 e extrapolou as regras que giram em torno da moda normativa. A criação da linha começou com a vontade e necessidade de Adeju de criar peças que queria vestir, criando uma abordagem experimental, disruptiva e inspirada em sua identidade não-binária.

Sem seguir o tradicional modelo de estações do mundo da moda, Adeju enxergou no movimento slow uma forma de expandir suas ideias de maneira fundamentada em diversas pesquisas. Esta decisão possibilita à marca colaborar com artesões locais, como é o caso de tintureiras de Osobgo, e joias feitas por escultores de bronze.

As coleções são chamadas de projetos e o “Projeto 5” apresentado nesta semana foi nomeado “Aso Lànkí, Kí Ató Ki Èniyàn” (“saudamos o vestido antes de cumprimentar seu portador”, em português)”. “Ele apresenta roupas como objetos espirituais através das lentes de arquétipos queer dentro da sociedade iorubá”, explica Adeju.

O projeto adere ao ritual de flexão de gênero conhecido como Gélédé, por meio do qual o povo Iorubá, grupo que habita a África Ocidental, celebra ancestrais femininos, divindades e mulheres idosas da comunidade – todos encarnados por homens. O resultado são peças com tingimento natural e silhuetas lânguidas.

Solid Homme

Foto: Reprodução/Instagram/@solidhomme_official

Diferente das outras marcas desta lista, a Solid Homme está no mercado há um longo tempo: 30 anos. Famosa na Coréia do Sul, a marca criada por Woo Youngi Mi decidiu se aventurar e apresentar a coleção de inverno 2021 durante a semana de moda de Milão. Para a diretora de criação e CEO da label, esse é um excelente momento para a líder do mercado masculino coreano expandir para o mercado global.

Inspirada na exposição “Novos Velhos: Design entre tradição e inovação”, organizada em Guangzhou pela IFA, a organização intermediária mais antiga da Alemanha para relações culturais internacionais. As palavras usadas para nomear a mostra inspiraram Young Mi a trabalhar com sustentabilidade e utilizar veludo cotelê e padronagem Herringbone para reinterpretar um ponto de vista moderno.

Além disso, a designer deu preferência a silhuetas limpas e minimalistas, com uma paleta de cores que transita entre tons neutros, verde, rosa e azul. “Solid Homme pode parecer minimalista, no entanto, tem sues próprios detalhes icônicos e únicos, que a diferenciam de outras marcas. A passarela digital ajudará a aumentar seu ponto forte por meio de detalhes em close dos looks”, afirmou a designer ao WWD.