Na tarde desta terça-feira (22.11), Bazaar bateu um papo com Kevin Carrigan – diretor global de criação da ck Calvin Klein, Calvin Klein Jeans e da Calvin Klein Underwear. O designer está em São Paulo para a festa da MTV em parceria com a CK One, que acontece hoje a noite.

Kevin está na marca desde 1998 e sua filosofia de trabalho é baseada na ideia de roupas modernas com forma, função e beleza, que tenham a ver com os mais diversos estilos de vida. Ele também é responsável pelo figurino do filme cult A Morte lhe cai bem e da peça Body without a head.

Apesar da agenda lotada, Kevin – que é super simpático e bem humorado – reservou um tempinho para conversar com a gente. Confira abaixo os melhores momentos.

Harper’s Bazaar- Você coordena diversas linhas da Calvin Klein. Como dá conta de tudo?

Kevin Carrigan– É uma agenda agitada. Além de reuniões com as equipes criativas de cada segmento, também viajo bastante para São Paulo, Milão, Paris e Tóquio para me reunir com as equipes globais de design de cada região. É muito corrido, mas eu adoro.

HP- Cada região do mundo possui sua própria equipe de designers?

KC– Sim, temos uma em São Paulo, responsável pela America Latina, outra em NY, em Florença e uma em Tokyo, responsável pela Ásia. Em todos os lugares temos equipes de jovens designers que estão sempre antenados em tudo o que acontece. Também contamos com a colaboração de stylists em todas as regiões e eu funciono como um maestro numa orquestra.

HP- E como funciona o processo criativo junto as equipes?

KC– Começa com uma visão que eu desenolvo em cada temporada. Eu faço isso duas vezes por ano; parto de uma grande ideia que se transforma em palavras e emoções que servem de base para as equipes trabalharem. Eu não costumo usar temas específicos e sim palavras e sensações. No momento minha palavra chave é a sedução, e a partir daí selecionamos tecidos, silhuetas, cores, etc.

HP- Com tantas equipes ao redor do mundo, como se mantem o DNA da marca?

KC– Nós temos uma marca muito forte em mãos. Durante os últimos 40 anos, Calvin Klein sempre manteve o senso puro de minimalismo, simplicidade e sensualidade, que se tornam mais fortes para mim a cada temporada.

HP- Como é a sua relação com Francisco Costa?

KC– Eu costumo ir aos desfiles dele em NY, a gente socializa bastante, ele me leva em vários lugares quando estou no Brasil, mas nossas frentes de trabalho são bem diferentes e separadas.

HP- Como foi desenhar o figurino do filme A morte lhe cai bem?

KC– Eu era muito novo e tinha acabado de sair da Royal College of Art de Londres e uma grande amiga minha – a designer de figurinos Joanna Johnston – estava trabalhando no figurino de Um sonho distante com Tom Cruise e me chamou para ajudar a finalizar as peças de A morte lhe cai bem. Eu fui para a Irlanda e fiquei desenhando num pequeno vilarejo.

HP- O processo criativo é diferente de desenhar para uma marca como a CK?

KC– Sim, é uma linha de pensamento bem diferente, apesar de existirem algumas semelhanças. Você trabalha a partir de um roteiro, então é muito importante seguir o que está escrito e tornar real a imaginação do diretor, exatamente como ele pensou. Mas é tão divertido e criativo quanto.

HP- Voltando para a Calvin Klein; como marca vê o futuro neste período de recessão?

KC– Enquanto alguns países passam por momentos de estagnação econômica, outros estão crescendo, como é o caso do Brasil, Índia e China. Para nós é importante entender o estilo de cada uma dessas regiões em crescimento, assim como as transições de cada época, algo que Calvin Klein sempre fez muito bem. De Brooke Shields a Lara Stone, a marca sempre acompanhou cada geração e  assim permaneceu forte. É muito importante ter uma equipe de confiança e também saber criar um ponto de equilíbrio entre o comercial e o conceitual.#

 

A campanha mais recente da CK One