Foto: Henrique Padilha

Por Amanda Zacarkim

Há três anos, Francesca Muston, editora sênior da WGSN na Grã-Bretanha, vem ao Brasil para acompanhar de perto as semanas de moda e analisar os produtos disponíveis nas lojas, merchandising e a relação das marcas com os clientes na hora da compra.

Em entrevista exclusiva para a Harper’s Bazaar, Francesca lança o olhar sobre a moda brasileira para eleger suas preferências no SPFW e dar uma dica preciosa para boas compras: segundo ela, peças feitas de tecidos brocados como o jacquard e com um quê de barroco prometem ser hit no verão e ainda chegar atualizadas ao inverno 2013.

Confira mais no nosso bate-papo:

Harper’s BazaarNa sua opinião, a moda e o design brasileiros já possuem uma identidade consistente?
Francesca Muston – Sim, com certeza. O estilo brasileiro é muito marcante, e pode ser clichê falar isso, mas há muitas cores e estampas vibrantes por aqui que começaram a ser exploradas apenas recentemente no exterior. Além disso, o Brasil já tem uma cultura de trabalhar com grupos locais e iniciativas de sustentabilidade na moda, coisas que só agora começam a entrar na agenda mundial. Eu amei o desfile da Osklen, por exemplo. É sempre bom ver peças comerciais que conseguem ser feitas com um tema bem amarrado e com bons tecidos.

Bazaar Quais as suas principais apostas para o verão brasileiro?
Francesca – A estilista Raquel Davidowicz, da Uma, apresentou uma coleção clean e futurista que se encaixa na macrotendência Primal Futurism, da WGSN. Ela sintetiza uma espécie de natureza futurista, com tecidos de toque sintético. Também parece que o mix de estampas no mesmo look finalmente vai pegar por aqui. As cores vibrantes são uma novidade para o inverno do resto do mundo, mas aqui no Brasil elas nunca deixaram de estar na moda…

BazaarE o que fica do verão, que estamos acompanhando agora nas passarelas, até o inverno 2013?
Francesca – Muitos tecidos trabalhados e decorados com bordados, seguindo a linha barroca que a apareceu, por exemplo, na passarela da Coven [no Fashion Rio]. Brocados, jacquards e tramas artesanais, com um toque de feito a mão, vieram para ficar. Tudo isso porque o consumidor está mais interessado em investir em peças que tenham história, que sejam feitas por pessoas com expertise e que se sejam usáveis durante muito tempo, sem datar.

Bazaar Você acha que o consumidor já está educado para saber valorizar os produtos de qualidade made in Brazil?
Francesca – As novas marcas de fast fashion podem seduzir muita gente assim que chegarem ao Brasil mas, ao mesmo tempo, todos acabam usando a mesma coisa… Qual a graça disso? Agora, o consumidor de moda quer algo único e que ele possa guardar por anos, algo que justifique a compra.

Bazaar – O que você leva do Brasil para sua pesquisa em produtos na Grã-Bretanha?
Francesca – Sempre presto atenção em peças de moda praia, além da relação com o consumidor no mercado de varejo, as lojas e os serviços de e-commerce. É interessante observar o que acontece aqui no Brasil porque todos querem estar aqui, agora. Há grifes internacionais de peso chegando ao país, e essa é uma boa fase para observar como os brasileiros estão protegendo sua identidade de design.