Calvin Klein, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Calvin Klein, verão 2019 – Fotos: Getty Images

Por Rodrigo Yaegashi e Silvana Holzmeister

A moda sempre foi o espelho da sociedade, das cores a ornamentos, tudo que vestimos é uma grande resposta a diversos pensamentos e reflexões do nosso estado de espírito. E em clima nada favorável ao que foi a liberdade setentinha, 2019 tem sido um grande ponto de interrogação.

Pois bem, qual o nosso papel como moda? De Nova York à Paris, passando por Londres e Milão, as mais famosas casas do luxo e criatividade mergulharam nos medos contemporâneos para fazer florir um verão rebelde, provocador e esperançoso, que o diga os decotes, transparências, comprimentos curtíssimos e vazados que deixaram o corpo feminino à mostra.

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Calvin Klein, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Calvin Klein, verão 2019 – Fotos: Getty Images

Mais não é só por aqui, no Brasil, que a liberdade vive momento delicado. O tubarão solitário da Calvin Klein se destacou logo no início da temporada delineando tempos de caça. As marcas ficaram, literalmente, expressas nas roupas, com fendas lembrando rasgos. O resultado é a mais bela coleção de Raf Simons para marca norte-americana.

Metaforicamente, nos remete ao individualismo que toma conta da sociedade e está expressa inclusive nas mídias sociais, ainda que sua concepção seja aglutinadora. Golas altas e plissadas, lembrando rufos nos mostram que o ato de se expressar deve ser contido?

Thom Browne, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Thom Browne, verão 2019 – Fotos: Getty Images

No desfile de Thom Browne, modelos amordaçadas surgiram sobre saltos impossíveis de caminhar e, ao mesmo tempo, nas mais pitorescas cores – elemento que tanto nos vangloriamos nos nossos posts “instagrâmicos”. O mundo digital, altamente explorado de forma positiva nas passarelas no passado recente, mostra agora também seu lado obscuro e que foi percebido de forma coletiva. Haters de todos os lados, com frases que no mundo real renderiam respostas jurídicas imediatas, continuam pipocando livremente no mundo digital, disseminando ódio.

Burberry, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Burberry, verão 2019 – Fotos: Getty Images

Enquanto a Dior, pelas mãos de Maria Grazia Chiuri; e a Givenchy, com a Clare Waight Keller utilizam a austeridade de ambas as casas, em cores e silhuetas, para militar seu exército, a estreia de Tisci na Burberry buscou os movimentos londrinos dos anos 80, teddy boys, punks e grunges a inspiração pesada para lutar nos tempos de hoje.

Prada, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Prada, verão 2019 – Fotos: Getty Images

Claro que o balé da Dior contrapôs e deu esperança ao meio do conservadorismo, mas a sempre questionadora Miuccia Prada foi além, unindo referências diversas – meninas burguesas e colegiais uniformizadas, roqueiras e sexy – para montar sua pensata fashion-social em sua marca principal, a Prada.

Valentino, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Valentino, verão 2019 – Fotos: Getty Images

À sua maneira, Pierpaolo Piccioli fez o mesmo ao mesclar formas puristas – quase austeras principalmente na sequência de looks pretos que abriram o desfile da Valentino – a plumas levíssimas decorando, inclusive, sneakers e espadrilles. Desejo para as informadas e desinformadas, e tudo bem!

Marc Jacobs, verão 2019 - Fotos: Getty Images
Marc Jacobs, verão 2019 – Fotos: Getty Images

Do visual vintage esplendoroso da Marc Jacobs à praia montada pela Chanel no Grand Palais e à passarela de água da Saint Laurent bem em frente ao principal cartão-postal parisiense, o sonho, o escapismo e a nostalgia, enfim, funcionam como válvula de escape para uma realidade não tão fácil de ser encarada. Como cabe à moda, o espelho do contemporâneo permanece vestida de espetáculo.

Libertos, sim vamos usar a liberdade em versão Valentino, em vermelho ou verde com amarelo, nos preparar para voar, mesmo que apenas um pulinho leve com plumas nos pés.