Fotos: Marcio Madeira

Por Sylvain Justum

A Maison Martin Margiela bebe na fonte da elegância característica de duas outras grandes casas parisienses para entregar um verão extremamente sofisticado, fresco e desejável.

O ladylike da Dior e os volumes de Cristóbal Balenciaga dividem espaço com as estruturas típicas da grife belga, craque também em produzir silhuetas fluidas e cortar uma alfaiataria precisa. Tudo com um toque noir, bem anos 40. Pense em uma Rita Hayworth moderna, como que numa releitura de Gilda. Os tubinhos tomara-que-caia do primeiro bloco, de comprimento abaixo dos joelhos, arrematados por luvas compridas e escarpins clássicos em nude ou preto, poderiam ser seu figurino.

O twist da MMM aparece nas barras, meio sereia, extensões assimétricas de vestidos comportados, atualizados também pela escolha do couro como material. Tops rígidos e ombros proeminentes, desta vez em longas casacas, tratam de reafirmar essa identidade. Na porção menos estruturada do desfile, tops e vestidos lânguidos, sobrepostos às calças de shape confortável, compridonas, que retornam nos macacões e combinadas com blusas de extrema delicadeza, ultrafemininas.

O sexy, aqui, está nos detalhes: na fenda frontal das saias, nos braços deixados à mostra pelos tops boxy ou nas delicadas transparências dos vestidos de organza do final. Tudo é muito simples, clean, descomplicado, mas nem mesmo as blusas e os longos vestidos de corte t-shirt perdem o glamour nas mãos da trupe sem rosto. Primoroso!