Foto: Divulgação

Raros são os relógios de pulso vintage da Audemars Piguet. Estima-se que existam apenas 307 unidades de relógio fabricados entre as décadas de 1930 e 1950 – que quase nunca aparecem em leilões. As peças têm status de joias e objeto de desejo absoluto entre adoradores dos cronógrafos talhados à mão no Vallée de Joux – cujos fãs vão de Beyoncé e Alicia Keys até, mais recentemente, Millie Bobby Brown.

Para tentar aproximar os devotos dessas raridades, muitos de coleções privadas, passaram incólumes aos tempos de guerra e são herdados por gerações, a marca suíça apresenta o primeiro projeto de remasterização – relógios novos e modernos, com sua tecnologia mais recente, mas com design que remete ao antepassado.

Limitada à confecção de 500 unidades, o modelo [Re] master01 Selfwinding Chronograph (uma recriação com base na ref. 1533, datada de 1943) feita em ouro e safira é um passo avante na história da Audemars Piguet, com quase 150 anos, atualizando a marca de luxo e exclusividade. Ou, para ser exato há 145 anos, como pede a precisão da alta relojoaria. “O que amo no conceito desta coleção remasterizada é que não há (cobrança interna por) prazos”, explica Olivia Giuntini, diretora da marca.

À esquerda, modelo original de 1943, que deu origem ao primeiro ‘remaster’ da Audemars Piguet (Fotos: Divulgação)

“Não dá pra dizer que vamos lançar uma peça por ano. De jeito nenhum. A ideia é decidir (na nossa história) qual relógio queremos destacar – porque há algo específico sobre o design e, então, encontramos a maneira certa de ajustar o calibre do passado e modernizá-lo”, completa Olivia. Cada micro peça é talhada à mão por relojoeiros na Suíça (neste existem 349 partes e 40 joias). Como ela fala, só é possível se inspirar nos detalhes porque cada relógio confeccionado é anotado toda sua especificação em um livro na fábrica.

“Somos constantemente inspirados pelo passado. Mas estamos olhando para o futuro, o que é essencial. Para isso, você precisa se desafiar no presente”, reforça o chefe de complicações da Audemars Piguet, Michael Friedman. “Se você criar relógios amados por todos, provavelmente não serão amados por ninguém no futuro. Então você não pode ir pelo lado mais fácil, tem que ser desafiador e continuar se desafiando.” Ele ainda conta que, apesar da liberdade para revisitar o passado, a escolha deste relógio foi unânime.

Se você se interessou, a raridade (foram produzidas apenas 500 unidades no mundo) estará à venda nas lojas Audemars Piguet – atualmente fechadas devido ao Covid-19. Custa cerca de US$ 65 mil (valor próximo de R$ 350 mil se convertido). Mas a compra dos relógios não são tão simples assim. Do seu modelo Royal Oak, há filas de espera para os modelos mais cobiçados e não deve ser diferente com esse primeiro remaster.

Design

Curiosidade: o livro indicando as especificidades do modelo-base apontava, nos idos de 1943, a cor champanhe para espanto dos próprios relojoeiros, que acreditavam ser esta uma tonalidade mais atual. Com caixa em aço (com diâmetro ampliado de 40 mm) e ouro rosa (18K) de dois tons, o mostrador manteve os recursos clássicos do original, realocando os mostradores e atualizando o cronógrafo com função de column wheel e flyback. Mais leve, o [Re] master01 tem seus números inspirados na Art Deco, fundo de cristal de safira à prova de brilho, que deixa seu mecanismo à mostra. Inclui pulseira de couro de bezerro marrom claro costurada à mão e uma adicional em couro de jacaré (marrom escuro).

*O jornalista viajou em janeiro último a Le Brassux a convite da Audemars Piguet.