Por Sylvain Justum

Foi boa a estreia do baiano Vitorino Campos no SPFW. Muito se falou sobre seu talento promissor e, de fato, a coleção de estilo clássico ora quarentinha, ora fifties, dá vontade de acompanhar seus próximos passos. Minimalista, o estilista se limita a trabalhar uma cartela enxuta, composta de preto, branco e salmão, em boas saias pelos joelhos – de shape lápis ou tulipa invertida, com cintura lá em cima, marcada -, calças cigarretes e delicadas blusas de ombros desabados e silhueta maximizada. Nos pés, escarpins comportados, sem erro. Nas mãos, discretas carteiras.

A sisudez dos looks ganha respiro com a inteligente introdução de patchworks gráficos e faixas de alma esportiva, sobretudo nos levíssimos tops de organza e gazar transparente. Vitorino mostra sintonia com o mood global, o que é um ótimo ponto a favor. Sua coleção é elegante – apesar de um tantinho repetitiva na passarela -, bem acabada e cria desejo, aspecto fundamental para alguém que planeja um lugar ao sol no time dos grandes. Por outro lado, a predileção pelos tecidos festivos, como a zibeline, para a maioria das peças é uma faca de dois gumes, atenção.

O melhor look: O look preto de saia lápis com top de mangas sino, soltinho e de ares esportivos realçados pela faixa branca na altura do peito.

A beleza: os cabelos displicentemente presos por um rabo de cavalo e fios soltos, à la parisiense, foi um ótimo contraponto à gravidade dos looks do desfile.