Por Sylvain Justum

Walter Rodrigues segue fiel à sua paixão pela alfaiataria e referências orientais – nem que seja apenas na trilha. Desta vez, inspirado pelo livro People of the 20th Century, de August Sandler, que retrata camponesas e outras mulheres da classe trabalhadora alemã durante a república de Weimar, na década de 20-30.

Era o princípio do streetstyle. E isso fica evidente nos looks desfilados por Walter, onde se misturam universos, materiais e formas, além de precisas sobreposições, que são a chave para um effortless chic impecável.

Clássico, o primeiro bloco aposta em pretos, brancos e cinzas e é nele que impera a bela alfaiataria, com evidente jogo de masculino versus feminino, cheio de calças slim de crepe – mais curtas, para serem usadas com os coturnos que arrematam todos os looks.

Antente para as pelerines, como a branca de Daiane Conterato, em look de bermuda, e para a bem cortada camisaria. Preste atenção aos detalhes. Tem sempre um barrado escapulindo por baixo de outro, uma manga 3/4 sob outra mais curta, num delicioso jogo de proporções. O styling é afiado. Moda real e urbana, com ideias para usar já nas ruas das grandes cidades.

São lindos também os adornos de cabeça pensados para cada look. Começam minimalistas, geométricos, passam para um delicado tipo de fanchon- lencinho típico das camponesas –, rendado e estruturado, até chegar nas boinas floridas, pontos luminosos que servem para quebrar a sisudez das entradas iniciais. Daí para frente, o desfile explode em cores vivas e estampas, borrifando o aroma étnico que Walter tanto gosta.

Misturadas, molengas, nas saias compridas, nos tops de mangas orientais, nos lenços amarrados na cabeça, nas calças listradas, xadrezes, tudo ao mesmo tempo agora, num exercício de infinitas combinações. E Walter foi aprovado nele, com louvor. Lindo!

MELHOR LOOK: O coletão preto de alfaiataria, usado por cima de top e saia longa estampados. E coturno nos pés.

ACESSÓRIO: As cabeças pretas, gráficas e até rendadas do primeiro bloco do desfile.

 

 

Foto da Home: Paulo Reis