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Julie de Libran – Foto: Reprodução

Por Luigi Torre

O local escolhido por Julie de Libran, nova diretora artística de Sonia Rykiel, para apresentar sua coleção de estreia na marca, em setembro do ano passado, não foi nenhum grande salão de luxo em Paris, nem algum ponto turístico, mas, sim, a própria loja da maison. Localizada no coração de Saint-Germain-des-Prés, no exato endereço em que sua fundadora abriu as portas, em 1968, a locação não podia ser mais simbólica do que estava prestes a acontecer naquela passarela. “É como receber em casa, algo que fazemos muito aqui na França”, explica Julie em entrevista à Bazaar Brasil. “Para nós, era muito importante que nossos convidados viessem a Saint-Germain-des-Prés, onde Sonia começou e onde sua criatividade tem continuidade hoje.”

Continuidade, aliás, é a palavra-chave aqui. Mas não no sentido de simples prolonga- mento daquilo que já foi. Trata-se de evolução. Está entre os principais desafios – e objetivos – de Julie, que já passou por cargos importantes na Prada e Louis Vuitton, a injeção de frescor na marca. Mais ainda, a injeção de relevância, bem como Sonia Rykiel, em si, fez nos anos 1970, ao revolucionar o prêt-à-porter com seus tricôs e listras confortáveis, práticos, inquestionavelmente cool e femininamente sexy.

Desfiles - Foto: Divulgação
Desfiles – Foto: Divulgação

Conhecimento de causa ela tem de sobra. Natural de Aix, no sul da França, Julie cresceu observando sua mãe usar as criações da grife. “Sempre elegantes, glamorosas, com materiais delicados, muitas listras e silhueta forte e feminina”, relembra. “Meus prediletos eram um suéter de mohair e um terninho preto de crepe com forro de cetim.” Vêm dessas memórias alguns itens de desejo de sua primeira coleção para Sonia Rykiel e sua visão do que a marca representa hoje.

Em seu moodboard para a coleção de verão 2015, acumulavam-se imagens de Kate Moss, Charlotte Gainsbourg e Françoise Hardy. Mas o real foco de seu trabalho são as várias figuras femininas que passam pelas calçadas de Saint-Germain ou de qualquer outra cidade do mundo. “Quero vestir as mulheres de hoje, ver as coleções sendo usadas na rua”, afirma. Bem como aquelas que usavam os tricôs de Sonia Rykiel, como símbolo de liberdade e feminismo, durante os protestos de maio de 1968.

Campanha - Foto: Reprodução
Campanha – Foto: Reprodução

É esse espírito que Julie deseja atualizar.“Quero criar desejo e um pouco de sonho. Mas também quero estar afinada com a nossa era, com as diferentes culturas.” Qualidade é um dos pontos altos em seu trabalho. Segundo ela, é o que torna uma peça eterna. Bem como seus novos tricôs, com pontos diversos e até trama de pele. Em termos de novidade, aparecem também macacões jeans, as joggings de couro e o novo modelo da bolsa Rykiel Domino, agora franjada.

As listras, ícone máximo da maison, também ganham nova roupagem. “São a primeira coisa que vem à mente”, diz a estilista, que encontrou nos arquivos uma ilustração de Sonia Rykiel dizendo “a beleza será sempre listrada”. Na passarela, elas chegam, primeiro, de modo reverencial, em suéteres e blusas de malha, para, depois, ganharem atualidade. São listras tramadas em tweed, patchwork, jacquards, rendas, pele e até franjas. “Quis levar as listras ao extremo, elas são sempre frescas, atemporais, francesas. Listras te fazem sorrir.”