Wymann - Foto: Divulgação
Wymann – Foto: Divulgação

Raquel Wymann acorda com sol nascendo, caminha todos os dias na praia e medita antes de ir para o ateliê. É um dos privilégios, conta, de morar no Rio de Janeiro, mais especificamente em Copacabana, principal cartão-postal da cidade. “Afinal, sou estrangeira”, brinca.

Nascida na Suíça e depois de morar em vários países da Europa enquanto era modelo, ela conta que descobriu aqui seu lugar. Radiante, como boa ariana, encontrou nas cores e na energia da cidade combustíveis não somente para uma vida conectada à natureza, mas para o estilo de suas coleções, que ela define como minimalismo tropical, uma junção do ar descomplicado europeu com a bossa carioca.

Tanto que a cartela cromática, recheada de tons otimistas em qualquer estação, virou carro-chefe da marca que criou em 2014, depois de passar pelo estilo das grifes Martu, Totem e Sacada.

O uso exclusivo do algodão nacional e as amarrações capazes de transformar o look ao gosto da cliente vêm na sequência. Aliás, foi pensando no poder da mudança e em energia que Raquel chegou à alquimia, conceito que move a coleção do inverno 2019, recém-apresentada.

A inspiração, que ela conecta tanto a referências visuais quanto intelectuais, aparece nas complexas dobraduras e na extensa gama de tons, ora vindos dos metais, ora flertando com a flora exuberante que a rodeia.

“A ideia de transmutar também tem a ver com a maneira como usamos o algodão, que não tem a sofisticação da seda, mas permite ao corpo respirar e se torna especial por meio da modelagem, das cores e estampas exclusivas”, explica a estilista, que tem, ainda, procurado cada vez mais agregar valores socioambientais à marca junto com a sócia, a mineira Daniela Bechara, que conheceu na Martu e se uniu ao business há três anos.

SIGA A BAZAAR NO INSTAGRAM

Wymann - Foto: Divulgação
Wymann – Foto: Divulgação

“Concentramos internamente a modelagem e o corte das cerca de cinco mil peças que produzimos a cada estação. Assim, reaproveitamos as sobras. Depois, tudo vai para costureiras que trabalham em casa.” Apesar de não ser fácil, Raquel diz que não tem o que reclamar dessa logística. “Nunca tivemos atrasos e é legal, porque dá liberdade a essas profissionais. Acredito que isso traz uma energia positiva para as roupas.”

São ações como essas que conectam o momento atual da empresa ao tema da coleção. “Alquimia também fala disso, de mudar com sabedoria o mundo à nossa volta”, analisa Raquel.

A mesma lógica guia o sentimento de positivismo que emana de sua primeira loja – um cubo totalmente amarelo -, inaugurada em setembro no shopping Rio Design. “Queria um espaço luminoso e adoro a fachada, que pode ser customizada”, conta a estilista, que abriu as portas com os looks do verão. “As peças em pink, vermelho e terrosos ficaram lindas lá”, comemora.

Inspirada no circo, a coleção, que em breve ganha a companhia da linha de festa para o final do ano e do alto verão, traz nos recortes em formato de tenda e estampa de palhaços, por exemplo, outra conexão com o ato de transformar.

Neste caso, o dia a dia em um grande espetáculo. “Se estou triste, acrescento um super-salto à roupa colorida e tudo muda”, diz ela.

Wymann - Foto: Divulgação
Wymann – Foto: Divulgação

No fluxo das mudanças, está planejando collabs e o segundo endereço próprio – suas peças também estão em e-shops e multimarcas brasileiros e em Londres, Miami e Nova York – para o próximo ano, desta vez em São Paulo.

É onde estão o novo amor e também um número expressivo de clientes que compartilham com as cariocas o gosto pelo seu design sofisticado, acessível e que enfrenta qualquer agenda. Estar frequentemente na ponte aérea abriu espaço para nascer uma simpatia pela capital paulista. Mas seu coração bate forte mesmo pelo Rio. “É uma delícia morar onde todo mundo quer vir para passear.”