Por Katie Intner, publicado originalmente em Harper’s BAZAAR US
Kaia Gerber não é estranha a boas sobrancelhas — especialmente por ter crescido com uma supermodelo dos anos 1990 como mãe. Cindy Crawford sempre foi conhecida por suas sobrancelhas cheias. Ainda assim, a atriz e modelo de 24 anos confessa que sonha com sobrancelhas finas. “Eu adoraria experimentar sobrancelhas mais fininhas”, conta. Antes que eu imediatamente implore para que ela não repita meus erros do início dos anos 2000, ela explica: “Eu afinei um pouco as minhas para um projeto que estava filmando e acabei mantendo, mas naturalmente tenho sobrancelhas bem grossas”. Embora Gerber ainda não vá tirar as sobrancelhas até desaparecerem, ela diz que prefere simular o visual — considerado polêmico por muitos — com seu corretivo favorito, o “Radiant Creamy Concealer”, da NARS, marca da qual agora é o rosto.
“Se eu pudesse usar apenas uma marca de maquiagem pelo resto da vida, minha resposta sempre foi a mesma: NARS”, afirma sobre o novo cargo. “É muito especial trabalhar com uma empresa cujos produtos você realmente ama, e é aquele momento de ‘belisca-me’ estar no set e ver todos os produtos à minha frente.”
A história de Gerber com a marca começou há quase uma década, quando ela foi fotografada pelo fundador e diretor criativo da NARS, François Nars, para seu livro de fotografia “Persona”.
“Kaia é uma beleza verdadeira, uma supermodelo contemporânea que carrega consigo o espírito de outra era”, diz François à BAZAAR. “Trabalhar com ela nesta campanha foi como voltar à época dos ícones originais. Aquelas supermodelos eram mais do que rostos; o que sempre amei nelas era a alegria. Mais do que tudo, elas se entregavam completamente diante da câmera, colocando toda a sua energia na criação das imagens mais bonitas possíveis. Fotografá-la foi como reviver essa magia — uma das coisas que me fizeram me apaixonar por esta indústria desde o início.”
Conversamos com Gerber sobre tudo o que envolve maquiagem — de seus produtos indispensáveis a por que ela “ama ser menina” e passar horas se arrumando.
Harper’s BAZAAR – Por que você sente que este é o momento certo para se tornar o rosto da NARS, especialmente com sua relação de longa data com François Nars?
Kaia Gerber – Fiquei muito animada quando a NARS me procurou para trabalhar com eles. Conheço o François há anos, desde que ele me escalou para “Persona”, quando eu tinha uns 13 ou 14 anos, então tenho muita história com ele e com a marca. Qualquer momento em que ele tivesse me convidado teria sido o momento perfeito, provavelmente. Mas agora, neste ponto da minha vida, tudo pareceu obra do destino.
HB – Acho que todo mundo se lembra de seu primeiro produto NARS. Qual foi o seu?
KG – Para muita gente com quem conversei, os primeiros produtos de maquiagem foram da NARS — e comigo não foi diferente. O primeiro produto de maquiagem que comprei foi o “Radiant Creamy Concealer”, que uso até hoje. Nunca me afastei dele de verdade, e por um bom motivo: ele é simplesmente muito bom. Tenho orgulho da Kaia de 13 anos por ter um gosto que ainda consigo defender. Acho que os produtos são muito fáceis de usar e funcionam para todo mundo, além de terem variações de tom que acompanham as mudanças da pele ao longo do ano. Sempre foi meu favorito, e hoje minha paleta está praticamente perfeita porque uso há mais de dez anos.
HB – Como você acha que seu gosto por maquiagem mudou ao longo dos anos?
KG – Nunca fui alguém que faz maquiagens muito ousadas ou coloridas. Sempre me senti mais atraída por algo natural ou levemente esfumado. Conforme fui ficando mais velha, comecei a aproveitar mais a maquiagem. Quando era mais nova e modelava muito, quase nunca usava maquiagem fora do trabalho; não sentia essa vontade na minha vida pessoal. Mas agora, mais velha, passei a amar e valorizar o ato de me arrumar. Eu amo muito ser menina e o fato de poder levar o tempo que quiser para me preparar. É uma das minhas partes favoritas do dia. Me apaixonei novamente pela maquiagem. Me arrumar virou quase uma meditação para mim, especialmente quando estou com amigas. Quando chego ao jantar, nem me importo tanto, porque já tive o melhor momento me arrumando. Existe uma ideia equivocada de que usamos maquiagem para os outros. Talvez isso seja verdade para algumas pessoas, mas a maioria das mulheres com quem converso não usa maquiagem para os outros — usa para si mesmas. Eu me incluo nisso.
HB – Você tem algum ritual de preparação?
KG – Sempre coloco música. Ultimamente, curiosamente, tem sido a trilha sonora de “Rent”. Não sei por quê. Gosto muito de ouvir música. Coloco bobes no cabelo — há algo em estar de bobs enquanto faço a maquiagem que parece absolutamente certo para mim. Me dou bastante tempo porque adoro não ter pressa. Também gosto de ligar ou fazer FaceTime com alguém enquanto me maquio, ou conversar com uma amiga se ela estiver comigo. Um dos meus amigos fica sentado no chão ao lado da minha penteadeira ou no balcão, conversando comigo enquanto me arrumo.
HB – De onde vem sua inspiração de maquiagem?
KG – Grande parte da minha inspiração vem dos artistas incríveis com quem trabalhei. Tenho muita sorte de ter maquiadores incríveis, como a Nina Park, fazendo minha maquiagem há tanto tempo. Outro dia, a Nina e eu comentávamos que ela fez minha maquiagem pela primeira vez há dez anos. Também tem a Diane Kendall, que é incrível e trabalha muito de perto com o François. Ela fez minha maquiagem na minha primeira campanha de beleza. Me sinto muito sortuda por encontrar inspiração e, ao mesmo tempo, ver essas pessoas trabalhando no meu rosto. Sempre que vejo alguém mexendo no celular enquanto está se maquiando, penso: você está perdendo o melhor acesso às pessoas mais bem informadas do mundo da beleza. Eu estou sempre perguntando coisas; não fico quieta. Quero saber o que estão usando e por que estão aplicando daquele jeito.
HB – Você tem uma relação antiga com François, desde “Persona”. Como é se reencontrarem dessa forma tão significativa?
KG – O François levou a beleza para um lugar celebratório e artístico. Acho que é por isso que sempre amei a NARS — nunca pareceu uma beleza para esconder, mas para realçar. O que sempre admirei no François é a atenção às cores; é diferente de tudo que já vi. Acho que é por isso que todo mundo ama tanto os blushes. É muito difícil acertar o pigmento. Você pode ter a melhor fórmula, mas sem o pigmento certo não funciona. Ele consegue fazer os dois. É por isso que sempre usei blushes da NARS. Eu experimento outros, me afasto um pouco, mas acabo voltando porque as cores são simplesmente perfeitas.
HB – Há algum conselho de beleza que tenha ficado com você ao longo dos anos?
KG – Entender com o que você se sente melhor. Minha mãe sempre me disse que menos é mais, e isso é absolutamente verdade para mim. Ela quer dizer que você não precisa se esconder atrás da beleza; ela pode ser uma extensão de quem você é.
HB – Existe um produto sem o qual você não vive?
KG – Honestamente, são muitos, mas o “Radiant Creamy Concealer” está no topo. Ele está literalmente no meu rosto 24 horas por dia, sete dias por semana — a menos que eu esteja dormindo. Também sou completamente apaixonada por blush. Lembro de pedir para minha mãe comprar o “Orgasm Blush” quando eu tinha 12 anos. Esses dois são meus produtos de ilha deserta, testados e aprovados. Minha mãe tinha muito bom gosto, e me sinto sortuda por ter crescido em uma casa com esse tipo de referência. Era uma casa de blush NARS “Orgasm”.
HB – Há alguma tendência de maquiagem que você adoraria testar — ou que nunca testaria?
KG – Eu amo, amo, amo sobrancelhas finas. Tenho um pouco de medo de fazer e elas não crescerem de novo. Consigo simular uma sobrancelha fina, mas toda vez que estou de TPM fico pensando: Kaia, larga a pinça. E o espelho de aumento é meu pior inimigo. Preciso me livrar dele. Mas o resto eu tento. Acho que já experimentei de tudo. Já usei maquiagens no set que nunca pensaria em fazer sozinha, e quando vejo o resultado penso: espera… eu gostei disso.


