
A pesquisa retrata que os esteriótipos atrapalham o crescimento do mercado feminino – Foto: Victoria Beckham Arquivo Harper’s Bazaar
A cobrança por um padrão de beleza impacta diretamente o crescimento de carreira das mulheres. Cerca de 40% delas acreditam ter perdido oportunidades profissionais devido à aparência. Esses dados fazem parte do estudo da The Body Shop em uma colaboração com o Instituto Plano de Menina – projeto social que tem como missão capacitar e conectar meninas de periferias a grandes oportunidades que as tornem protagonistas de suas histórias -, que investiga o impacto dos padrões estéticos para as mulheres no mercado de trabalho.

Viviane Duarte (residente do Instituto Plano de Menina e CEO do Plano Feminino) – Foto: Divulgação
O resultado do estudo foi divulgado em uma roda de conversa na qual a Harper’s Bazaar esteve presente. Na mesa, Rachel Maia (presidente do conselho do pacto global da ONU no Brasil), Camila Labes (gerente de engenharia da Gupy), Gabriela Gertel (Gerente de Marketing da The Body Shop Brasil) e Viviane Duarte (residente do Instituto Plano de Menina e CEO do Plano Feminino).
A pesquisa adota uma abordagem abrangente, estruturada em duas fases distintas: uma fase qualitativa e outra quantitativa. Dentro dessas etapas, são explorados temas como a relação entre autoestima e padrões estéticos, o impacto dos ideais de beleza no contexto do mercado de trabalho, a relação entre profissionais de recrutamento e seleção versus a aparência dos candidatos e as estratégias adotadas pelas mulheres, no Brasil, para lidar com essa dinâmica. O estudo aponta que após sofrer pressão estética, 45% das mulheres já modificaram a aparência para se adequar aos padrões de beleza no ambiente profissional. Surpreendentemente, 50% dessa pressão provém dos próprios colegas de trabalho, seguido por pressões internas, onde as mulheres se comparam umas com as outras (31%).

Rachel Maia (presidente do conselho do pacto global da ONU no Brasil) – Foto: Divulgação
A pressão estética no ambiente de profissional transcende o desconforto com a aparência. Esse fenômeno levou as mulheres a duvidarem de seus potenciais profissionais. Quando questionadas sobre os sentimentos após a pressão, 56% afirmam que o desempenho no trabalho sofreu quedas significativas. Além da estética, a pesquisa destaca como a pressão por uma aparência padrão impacta diretamente o crescimento de carreira das mulheres. “Me senti absurdamente mal, devido estar acima do peso e a empresa usar disso como um empecilho inclusive de promoção”, mencionou uma das mulheres. Alarmantemente, 60% das mulheres entrevistadas percebem uma falta de diversidade estética e racial nos cargos de liderança e acreditam que pessoas que estão dentro do padrão estético imposto pela sociedade, tem maiores chances de atingir cargos altos, pois a beleza conta como um fator de decisão. “Eu sou uma mulher preta e gorda, e nunca tive um chefe da minha cor”, diz entrevistada.
Na ocasião, Viviane ressaltou de forma contundente a importância da união e do engajamento em iniciativas transformadoras, como essa pesquisa conduzida em parceria com a marca de cosméticos. Diante dos dados reveladores sobre a persistência dos padrões estéticos no mercado de trabalho, ela enfatiza: “A força da mudança reside na nossa capacidade de nos unirmos, de desafiar o status quo e de promover uma revolução na forma como as mulheres são percebidas e valorizadas no ambiente profissional. Essa é uma transformação urgente para que o mercado acolha cada vez mais meninas e mulheres sem ferir quem são, adoecê-las e impactar o desempenho profissional, uma vez que muitas já enfrentam diversos outros desafios só para chegar nesses espaços”.

