Fotos: Divulgação

Por Miriam Spritzer

Desde o primeiro dia do Festival de Cannes, Chloe Zhao entregou momentos maravilhosos com suas falas e looks. Na celebração do Women in Cinema da Red Sea Film Foundation, não foi diferente. Ela chegou com um vestido Bottega Veneta escolhido a dedo para a ocasião, que celebra mulheres exatamente como ela que estão mudando a indústria como um todo.

O que a levou a escolher aquela peça específica para a noite, foi uma reflexão que vai muito além da moda. “Sinto que as roupas podem ser uma armadura, mas também têm algo de ritual. Adoro vestir antes de sair ou antes de um evento. Mesmo no set, escolho meu look e a energia das roupas me permite encarnar quase um arquétipo”, comenta a diretora, “adoro a forma como a roupa é tecida. Quando as coisas são entrelaçadas, há uma energia nisso. É pesada, é bruta. Parece muito elemental”. 

 

Fotos: Divulgação

O evento, realizado em 14 de maio no lendário Hotel du Cap-Eden-Roc, em Cap d’Antibes, é uma iniciativa anual da Red Sea Film Foundation que reúne cineastas, atrizes e executivas da indústria durante o festival de cinema mais importante do mundo. O foco é colocar um holofote em mulheres criativas do mundo árabe, da Ásia e da África que estão remodelando o entretenimento global, sejam elas já estabelecidas dentro de suas indústrias, ou vozes emergentes que trabalham na frente e por trás das câmeras.

Zhao é uma das integrantes do júri oficial da 79ª edição do Festival de Cannes, ao lado do presidente Park Chan-wook, Demi Moore, Stellan Skarsgård, Ruth Negga, Laura Wandel, Diego Céspedes, Isaach De Bankolé e Paul Laverty. O grupo é responsável por decidir quem levará a lendária Palme d’Or para casa, e em função das regras do festival, não podem falar muito com a imprensa até o final da competição. No entanto, para a diretora, era importante participar da gala que celebra mulheres do cinema e falar sobre o que significa, de verdade, dar voz feminina ao audiovisual.

Fotos: Divulgação

O ato de contar estórias e trazer as narrativas femininas para o mercado “é incrivelmente importante para a saúde da nossa espécie e para a nossa sobrevivência”, reflete a diretora “as mulheres, desde o princípio, foram guardiãs de canções, guardiãs de histórias. Somos o arquétipo da mulher sábia. Ficávamos sentadas em círculos ao redor de fogueiras, sob a lua, compartilhando histórias que ajudavam a comunidade. E eu acho que colocar recursos nas mãos das mulheres hoje, para que elas possam lembrar essa voz primordial dentro delas que quer se expressar e quer falar, é pela saúde da nossa civilização”.

Fotos: Divulgação

Mesmo tendo recebido o reconhecimento máximo da indústria, o Oscars, por Nomadland e ainda levar diversas outras indicações mais recentes com Hamnet, Zhao destaca que é importante abrir espaços para mulheres em cargos técnicos e mais executivos dentro da indústria também. Ela é hoje sócia da produtora Book of Shadows e do Kodansha Studios, assim acaba tendo mais controle de seus projetos. 

“Olhando para trás, a coisa mais difícil de fazer e a mais vital é se conectar com a própria intuição, especialmente para nós mulheres. Nossa intuição está no corpo, está no estômago. Saber encontrar esse espaço de quietude para realmente entrar em contato com o nosso corpo e ouvir o que a intuição está tentando nos dizer e falar a partir dela.”