
Klebber Toledo tinha apenas 15 anos quando saiu de casa para correr atrás do sonho de ser atleta no vôlei. A história, que ele conta quase de passagem, explica mais sobre o pai que está se tornando do que qualquer manual: quem aprendeu tão cedo que cada um precisa encontrar o próprio caminho não pretende desenhar o de Clara, sua primeira filha com Camila Queiroz. Aos 40 anos, diz que quer construir uma relação baseada em amizade, diálogo e respeito às escolhas da filha. Mais do que projetar expectativas, prefere descobrir quem ela vai se tornar. “Vamos entender qual é o sonho dela, não o sonho do pai, não o sonho do que a gente espera para os nossos filhos.”
“Estar pronto” é uma ideia recorrente na conversa do embaixador da BR Sport. “É sobre estar pronto para se doar, estar disponível, ser paciente e se manter firme nos momentos de desconhecimento”, define. Por isso, para Klebber, a pergunta nunca foi se estava preparado para ser pai. “Você se joga no desconhecido, encontra um ser que ainda não sabe falar, mamar, comer nem dormir sozinho. Precisa de carinho, de uma condução. O mais importante é realmente se colocar disponível para aprender, porque você tem que treinar o olhar acima de tudo e a empatia constante.” Treinar talvez seja o verbo mais adequado para quem passou a adolescência tentando se tornar atleta.
E, como qualquer treino, esse também exige constância, repetição e disposição para aprender. Na paternidade, Klebber acredita que isso significa ocupar um lugar diferente daquele que viu por muito tempo: dividir os cuidados, estar presente e fazer da vulnerabilidade parte da relação com a filha. “Esse conceito machista da nossa sociedade faz com que essas tarefas acabem ficando para a mãe. Acho que uma coisa que eu pretendo mudar é a figura do pai, quero estar ali presente nos momentos de coragem, vulnerabilidade e aprendizado”, resume. Tempo é o que ele quer doar para viver o que ela tiver vontade.

Full look: Louis Vuitton
Essa presença, porém, tem uma fronteira – com o perdão do trocadilho – clara: a exposição da filha. Não se trata de escondê-la do mundo, e a prova está nestas páginas, onde Clara aparece no colo do pai. A questão é quem decide quando, como e quanto. Uma aparição pontual, no enquadramento escolhido por eles, é diferente de uma infância vivida diante das câmeras. “Ela não é uma artista para ser constantemente exposta. Ela é um serzinho em transformação que vai escolher o caminho dela.” A ideia é preservar uma rotina o mais próxima possível da normalidade, ele reforça: “o mais difícil é trabalhar a exposição, saber como cuidar e preservar a dela, contando com o bom senso das pessoas.”

Suéter Cohí
A vontade de ser melhor também transborda para fora de casa. A agitação que o tirou do conforto na adolescência continua guiando suas escolhas. Ele está sempre aberto a novas possibilidades. “Eu me vejo como um grande curioso. Quando a gente atinge uma notoriedade, como pessoa pública, temos alguns deveres também, como o de ecoar vozes e não se limitar simplesmente a uma coisa.” A agenda comprova. Neste ano, ele filma o documentário sobre Watatakalu Yawalapiti, “a grande líder feminina do Xingu, que luta para o nosso povo, pela mãe Terra para todos nós”, produz dois longas na 13th Production, sua produtora, e assina a direção criativa da Viddo Art. Sobre a volta às novelas e séries, entrega só o suficiente para criar suspense: “Existe uma oportunidade muito especial para o final deste ano”. Vamos aguardar! E, na frente das câmeras, prepara a sexta temporada de Casamento às Cegas (Netflix), o único projeto da lista em que divide a cena com a mulher.

Blazer Fendi e manta Louis Vuitton

Suéter Trousseau; Calça J.Boggo+; Casaco Dod Alfaiataria; Cinto Cohí e tênis BR Sport

Suéter, calça e blazer BOSS; Tênis BR Sport e anéis Crayons e acervo pessoal
Dessa inquietação, nasceram também os projetos sociais, como o Mãos Dadas & ReSurf, movimento que une esporte e consciência socioambiental, e o Encontro na Praça, uma forma de colocar em prática o futuro que deseja construir para a filha e para as próximas gerações. Mas essa responsabilidade, diz, também começa por si mesmo. “A questão de saúde mental, para mim, é uma das mais importantes. É extremamente necessário estar atento a todos os sinais. Sempre fui a favor da terapia e vejo o quanto ela é capaz de trazer conforto e autoconhecimento para as pessoas.” Ele conta que sempre buscou entender mais sobre o assunto para se tornar também mais empático.
E há o que não se explica. “Um filho transforma a gente para melhor em todos os aspectos. É uma luz, é um brilho dentro de casa que não tem explicação. Parece que qualquer outro problema se torna pequeno e que tudo vai dar certo. Você vê a vida acontecer. É uma das maiores dádivas”, derrete-se.

Tricô Louis Vuitton
Pensando bem, o Klebber de hoje talvez não seja tão diferente do menino que um dia saiu de casa para correr atrás de um sonho. Só mudou o jogo. Agora, o desafio já não é descobrir o próprio caminho, mas acompanhar Clara da arquibancada enquanto ela encontra o dela.
Créditos:
Direção criativa: @klebermatheus
Fotografia: @jorgeewald
Styling: @yurihorsth
Set Design: @felipsouzas
Beleza: @julianaboeno
Direção de arte: @ykleinmori
Retoque: @nocera_11
Produção executiva: @zucahub
Produtora responsável: @claudianunesp1
Produção de arte: @vicfealves
Produção de moda e assistentes de styling: @elavarg
Assistentes de foto: @lelladiguimaraes e @almeida_igr
Assistente de set design: @isaarieiv
Assistentes de produção: @mclegodix
Camareira: @pridreger
Agradecimento: @prototype_sp

