Enquanto boa parte dos jogadores da Copa do Mundo de 2026 entra em campo com chuteiras rosas, corais, laranjas fluorescentes e outros tons néons, um detalhe chamou a atenção dos torcedores durante a estreia da Argentina: Lionel Messi apareceu usando um modelo branco.
A chuteira em questão é a Adidas F50 “El Último Tango”, edição especial criada pela marca alemã para celebrar o último Mundial da carreira de Messi, com quem a label tem um contrato vitalício. O lançamento está carregado de simbolismo e foi idealizado para eternizar a trajetória de um dos maiores jogadores da história do futebol.

Lionel Messi em sua estreia em uma Copa do Mundo, na edição de 2006, na Alemanha – Foto: Getty Images
O nome escolhido não poderia ser mais portenho. “Tango” faz referência à expressão cultural mais reconhecida do país, enquanto “Último” evoca a despedida de Messi dos gramados em Copas do Mundo. Às vésperas de completar 39 anos, o craque disputa seu sexto Mundial, um feito alcançado por pouquíssimos atletas. Desde sua estreia na Alemanha, em 2006, até a conquista do título no Catar, em 2022, o argentino transformou-se no principal ícone de sua geração e em uma das figuras mais influentes da cultura esportiva contemporânea.
Mas a homenagem vai muito além do nome. A Adidas buscou inspiração na chuteira utilizada por Messi justamente naquela primeira Copa, disputada há duas décadas. O modelo branco com detalhes em azul e dourado resgata uma estética que dominou o futebol dos anos 2000, quando jogadores como Zinedine Zidane, David Beckham e Kaká transformaram os calçados de jogo em símbolos de elegância dentro de campo. Naquele período, o branco representava status. Era a cor reservada aos protagonistas. Com o passar dos anos, porém, as empresas esportivas passaram a apostar em modelos cada vez mais chamativos. A lógica era simples – quanto mais vibrante a cor, maior a visibilidade na televisão e nas fotografias.

Time da Argentina no jogo contra a Argélia, nesta terça-feira (17.06): um par de chuteiras branco no mar de calçados rosas – Foto: Getty Images
A Copa de 2026 consolidou essa tendência. Nike, Adidas, Umbro e Puma inundaram o torneio com coleções em tons fluorescentes, criadas para gerar impacto imediato em um ambiente dominado por imagens rápidas e consumo digital acelerado. Nesse contexto, a escolha de Messi deu o que falar. Ao contrário dos demais atletas patrocinados pela Adidas, que utilizam pares oficiais da campanha global da marca, o argentino mantém uma linha exclusiva desenvolvida especialmente para ele. A F50 “El Último Tango” é um produto que conecta memória, legado e exclusividade.
Há também uma leitura interessante do ponto de vista da moda. Enquanto o futebol se aproxima cada vez mais da estética do espetáculo e do excesso, Messi surge como representante de uma vibe discreta, quase nostálgica. Suas chuteiras funcionam como um contraponto ao universo exagerado que domina o torneio. Numa competição marcada por tecnologia e estímulos (quase) apelativos, Messi fez algo raro: transforma simplicidade em narrativa. E talvez seja justamente por isso que ela tenha se tornado um dos objetos mais comentados do Mundial antes mesmo de a bola rolar.





