Valéria Costa – Foto: Divulgação

Por Diogo Rufino Machado

O ateliê Valéria Costa, localizado na cidade de Goiânia, já passeou pelos mais diversos nichos e segmentos da moda. O início da trajetória da marca homônima de Valéria começou com a produção de sapato que eram verdadeiras joias

A partir daí a estilista não parou mais. Figurinos de shows, vestidos de noiva, peças sob medida até chegar ao mercado de customização de jaquetas e blazers.

Valéria conseguiu ressignificar a palavra luxo que antes não combinava com sustentabilidade, upcycling e reaproveitamento.

Sob esses três pilares Valéria constrói algo novo a partir de peças já usadas. Leia abaixo entrevista exclusiva com a estilista:

Conte para a gente sobre a sua história.

Sou estilista, figurinista, apaixonada pelo que faço e pela moda e seu dinamismo. Sou casada, mãe de três filhos lindos e como a maioria das mulheres divido o meu tempo com o meu trabalho, cursos, pesquisas e família. Não posso deixar de mencionar a minha paixão por sapatos.

Como você começou na moda? Conte um pouco também de como você trabalha atualmente?

Tudo começou a tomar forma e dar início à minha história no mundo da moda com a minha primeira coleção de sapato com peças de joias, couro, brilhante e pedras brasileiras. Passei pelos figurinos de shows e com muito estudo e adquirindo experiências, ingressei no mundo da moda sob medida. Hoje, faço roupas e sapatos. Agora, estou focada em customização e em tentar diminuir o impacto de tanta sobra de tecido na moda para o meio ambiente.

No Brasil, é difícil fazer e construir moda para quem está fora de São Paulo? Como você lida com isso?

Não acho difícil construir moda fora de São Paulo, pois temos informações e facilidades para nos atualizarmos rapidamente através dos meios digitais. E ainda temos acesso aos materiais e tudo o que precisamos pela internet. Claro que São Paulo é onde tudo acontece e a facilidade e variedade é incrível, isso quando falamos de matéria-prima. São Paulo é a porta aberta para o mundo. Mas pela janela conseguimos caminhar muito bem.

Qual é o nicho da Valéria atualmente? Você tem se dedicado a quais trabalhos dentro da indústria?

No momento, estou focada no desenvolvimento de um projeto que comecei na pandemia e agora chegou o momento de colocá-lo no mercado: a customização de jaquetas jeans, blazers e camisetas. E isso pode agregar novos projetos, trabalhos e junto com eles posso realizar tudo no meu atelier com o que já trabalho.

Você faz sapatos, vestidos de noivas e joias, mas com qual produto você gosta mais de trabalhar?

Sim, faço noivas, festa, sapato, e em alguns usamos joias. A fusão de joias e sapatos foi juntar duas coisas que amo; joia e sapato. Se você usa joia no pescoço, braço, dedo, tornozelo e outros, por que não usar no pé? Hoje, fica difícil ver o que mais gosto. São como os filhos: vão crescendo e cada um do seu jeito, mas o amor é o mesmo.

Como é ser sustentável e ao mesmo tempo fazer artigos de luxo? Conta um pouquinho para gente como você tem colaborado com a questão da sustentabilidade?

Podemos ser sustentáveis com artigo de luxo. Não é difícil porque geralmente os artigos de luxo são excelentes materiais e que podemos transformar, customizar e dar nova vida a essas peças que estão guardadas. Às vezes, você usou uma vez e não tem como usá-la novamente. E aí podemos dar uma nova cara à peça, a transformar numa roupa diferente. As boas pedras, que também são usadas nos bordados, podemos reaproveitá-las e não as deixarem se tornar mais lixo para o meio ambiente. Em relação à sustentabilidade, acho que ainda faço pouco. Porém, esse pouco pode se tornar muito se todos começaram adquirir essa consciência. O projeto que falei é sobre isso: estou fabricando jaquetas e camisetas com o que sobra das grandes confecções. Nós fizemos parceria com um depósito de Goiânia que recolhe essa sobra das confecções. É um trabalho de formiguinha, mas conseguimos retirar muito tecido do lixo. Procuro bordar peças com as peças e pedras que sobram de outros bordados.

Nós gostamos de exclusivas, o que você pode nos antecipar sobre seus trabalhos que ninguém saiba?

Esse trabalho que estamos fazendo sobre a customização é a primeira vez que estou abrindo para a imprensa. Quero me dedicar, cada vez mais, em fazer uso desses tecidos que sobram das grandes indústrias. Poder transformá-los e também transformar os vestidos de festas e noivas para que não sejam usados somente uma vez. É ótimo. Às vezes, podemos fazer uso desses tecidos com tingimentos para transformar essas roupas de festa. E assim damos nova vida a esses tecidos que iriam parar no lixo e agora vão para o corpo de outra pessoa ou para os brechós. Nos calçados estamos procurando produzir a menor quantidade possível de lixo durante o processo de produção. Os pequenos detalhes que sobram estamos fazendo patchwork que são peças lindas e criativas, trabalhamos com grandes artesões em minha fábrica, onde tudo é feito à mão, de forma artesanal – o que contribuiu para amenizar o alto consumo de energia. Logo vamos lançar as peças com esse novo conceito. Estamos também fazendo as embalagens, todas com material reciclado e etiquetas biodegradáveis. E ainda estamos trabalhando com tecidos que dissolvam rápido. O caminho é esse…