Bianca e Laura Maluf – Foto: Camila Guermani e Marcelo Barbosa, com beleza de Claudia Abrahao

Por Jorge Wakabara

Onoma é a raiz da palavra “nome”, em latim. Na pesquisa para decidir como batizar a marca que têm em conjunto, lançada em setembro de 2021, Bianca e Laura Maluf pesquisaram bastante. “Queríamos que fosse forte, curto e que desse para falar em várias línguas”, explica Laura. Chegaram em Onoma porque consideram que os nomes das pessoas são parte forte da personalidade delas e querem que as roupas que criam também funcionem assim. E também porque cada peça ganha o nome de pessoas queridas – a primeira leva, que elas chamam de Capítulo 1, homenageia amigas; o Capítulo 2 vai contar com nomes de familiares.

Mas esse sobrenome igual… Elas são irmãs? Quase. Bianca conta: “Somos tudo: melhores amigas, primas, estudamos juntas a vida inteira desde os 3 anos, trabalhamos juntas na Sophia Hegg. Temos o mesmo gosto, o mesmo estilo. Um dia eu estava infeliz com o meu trabalho, liguei para a Laura e disse que queria abrir uma marca e ela estava exatamente na mesma sintonia que eu”.

Onoma – Foto: Camila Guermani e Marcelo Barbosa

A cumplicidade entre elas é fator superimportante, com as duas se complementando: Laura formada em administração de moda e Bianca em design gráfico. “Sociedade é como um casamento, tem que ser a pessoa certa. Confio nela de olhos fechados e isso é parte do que conquistamos até agora, somos muito focadas”, Laura faz coro.

Onoma – Foto: Camila Guermani e Marcelo Barbosa

A Onoma é uma marca atenta ao público que quer atingir: mulheres brasileiras. É por isso que as peças são leves e atemporais, naquele clima fresco de fim de tarde, com direito a panneaux e quimonos, tops delicados, blazer com parte abotoada removível que o deixa mais curto… Tudo a ver com o nosso clima quente. “É uma roupa que você pode comprar hoje e usar daqui a cinco anos, porque ainda vai estar na moda, é confortável. Dá para usar na praia, no campo, no escritório”, acredita Bianca. Outro destaque são os tecidos naturais: linho, viscose de reflorestamento, algodão. Quando elas usam poliéster, é reciclado de garrafa PET.

Aliás, o impacto ambiental e social também é uma preocupação. Além da proximidade com a cadeia de fornecedores para garantir uma produção ética, transparente e totalmente brasileira, o resíduo têxtil é reaproveitado na produção de ecobags e crunchies com 100% do lucro revertido para projetos sociais.

Onoma – Foto: Camila Guermani e Marcelo Barbosa

Essa primeira coleção à venda agora vem com muitas referências ao náutico: cordas, amarrações e nós, listras. Os panneaux trazem estampas desenvolvidas pela artista Rafaella Aliperti e a ideia é que, a cada drop, elas tragam uma nova convidada para valorizar a arte produzida por mulheres. Bianca e Laura gostam de se inspirar nas pessoas que as cercam, em suas viagens (em 2021, Laura esteve em Botsuana, Zimbábue e Etiópia) e na natureza.

A Onoma é uma marca nativa digital com site de venda próprio, mas faz eventos físicos pontuais. E elas inclusive organizam um: o Galeria Collab, que reúne marcas independentes e teve sua última edição em dezembro. “Nosso objetivo é ajudar essas marcas a crescerem, dar mais visibilidade e um boost de vendas no final do ano para elas. Temos essa ideia de ajudar a nossa comunidade, sabemos como é difícil crescer numa indústria de tubarões”, revela Laura. O Galeria Collab, por enquanto, acontece uma vez por ano, mas existem planos para que esse número de edições cresça.

Onoma – Foto: Camila Guermani e Marcelo Barbosa

O projeto para a Onoma também é aumentar a produção para atender atacado, tanto em e-commerces quanto em multimarcas. Elas querem ampliar o olhar para fora de São Paulo. Laura diz: “Nossa roupa é muito universal e clássica, não precisamos nos limitar em um eixo São Paulo-Rio. Queremos vender para o Brasil inteiro”. Um objetivo ambicioso – porém, no ritmo em que elas estão, não deve demorar para acontecer!